A Alice contou-me ontem de uma cidadezinha do interior dos Estados Unidos que ela foi visitar. Melhor deixar ela mesma contar a história, mas nossa conversa me fez pensar na Casa Edith, na Praça Generoso Marques em Curitiba – construída em 1879 e onde comprei há vinte anos meu chapéu de Indiana Jones.
Sempre que passo pela praça surpreendo-me que a Casa Edith ainda esteja lá, suspensa no tempo, mais ou menos como devia ser na década de 1940 e certamente muito antes. A loja é um estranho sobrevivente, um dos últimos remanescentes do tempo da Tecidos Urca, na Praça Tiradentes, onde minha mãe (que também se chama Edith) trabalhava quando mocinha. Como a loja clássica das Papelarias Requião, que fechou há algum tempo depois de 80 anos, sei que a Casa Edith (que vende ainda hoje chapéus e gravatas-borboleta que ninguém usa mais) não tem como durar muito tempo numa era implacável como a nossa.
Um dia vou passar por ali e não vou encontrar mais aquela entradinha perfumada com piso de madeira para olhar os arranjos ordeiros na vitrine. Não vou poder mais espiar para dentro e ver as caixas empilhadas umas sobre as outras, os balcões de madeira e vidro, os chapéus presos no teto, nas paredes e na parte inferior da escada que sobe para o segundo andar. Não vou mais poder olhar para o passado nos olhos.
Como tirei essas fotos no ano passado e raramente passo por ali, talvez a Casa Edith nem esteja mais lá.
Ah, que mundo.







