07 de Maio de 2005

Andando

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Pormenor

Ontem, depois de exatamente um ano de recesso, retomei as minhas caminhadas diárias com livro na mão (exatamente como a Belle de A Bela e a Fera, mas com uma aparência geral de fera).

Antes de juntar-me ao Monastério eu caminhava quase todos os dias no Jardim Botânico em Curitiba; aquela era minha sanidade, já que naqueles dias eu era recluso maior do que sou hoje. Agora tenho de me conformar com possibilidades mais variadas de roteiro, mas que não são tão generosas em vida selvagem; senti falta das cotias, dos sábias, dos quero-queros, das carpas, das garças e especialmente das pessoas em que eu literalmente tropeçava em Curitiba.

É notável, devo reconhecer, andar com a Serra do Mar espichando-se azul de um lado inteiro da estrada de terra, como a parte inferior da moldura de uma foto grande demais para ser vista de uma vez só. Há também – suas vigas de madeira projetando-se acima da linha das árvores à minha direita – o imenso viveiro eternamente em construção com dimensões de Jurassic Park onde eu e o Marcelo vimos uma vez uma onça. E, exatamente no ponto onde decidi dar meia-volta, uma casa abandonada de madeira a vinte passos da estrada, que tive de explorar e onde tive um encontro fatal com a mãe de todas as aranhas-marrons, cujas patas tinham a circuferência de um ovo frito.

Anotação mental: levar o binóculo e a câmera.



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Versões digitais dos manuscritos da Biblioteca do Monastério de São Brabo, nas Índias Ocidentais.
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