27 de Julho de 2005

A última tentação

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Fé e Crença, Goiabas Roubadas

“E assim, pois, se não tiveres notícias deste reino, inventa-as. Atenção, não peço que testemunhes o que considerares falso, que seria pecado, mas que testemunhes falsamente o que consideras verdadeiro – o que constitui ação virtuosa, pois supre a falta de provas sobre algo que com certeza existe ou existiu.”

Das últimas palavras do bispo Oto a seu discípulo, no Baudolino de Umberto Eco



4 Comentários a respeito de "A última tentação"

Bony

Quando leio a bacia, logo imagino sua voz mesmo contando o caso específico – como se fosse uma aula.

Nos trechos em que percebe-se um toque de bom humor, logo imagino sua risada ou até mesmo aquela manjada acentuação vocal para ênfase. O mesmo acontece quando é um texto tipo “lavada”, “puxada”, “sabão” ou um belo “don’t”…

Mas, isto não é só na bacia!
Quando leio o blog do Gladir Cabral [gladircabral.blogspot.com] ou do Jorge Camargo [jorgecamargo.blogspot.com] acontece o mesmo…

Bony



Ivan Volcov

O bispo Oto :evil: teve o mérito a sinceridade.
Seu discípulo :cry: o mérito de registrar com fidelidade as palavras de seu mestre.
Você, Paulo :shock:, disse coisas melhores a seu discípulo :lol:,
mas como ele não ouviu nada não restou, a nenhum dos dois, mérito algum.

O bispo Oto teria sido um seu discípulo melhor.



Paulo [brabo!]

De todas as graças que não dependem de mérito, a beleza é a mais comum, e a inteligência a que mais pode causar dano – menos a quem não a possui do que a quem não sabe manejá-la.



Ivan Volcov

Discordo!

Há beleza em não temer sofrer o dano, e esta beleza não é comum. Há beleza na inteligência, e mesmo que a inteligência não dependesse de mérito a sabedoria depende e sempre dependerá de busca.

Não há beleza em se abrir mão da inteligência ou em não se buscar a sabedoria. Mas isto é uma questão de escolha.

Suspeito que esta escolha – a de abrir mão e não a outra –, uma vez feita, seja irreversível; mas nisto eu não serei arrogante a ponto de dizer que não precise de mais sabedoria. Quanto a isto eu preferiria poder dizer estar enganado.

Como a única certeza que tenho é de que a inteligência e a sabedoria não são irreversíveis prefiro continuar ouvindo e provocando. Ouvindo, por mim. Provocando, pelos outros; na esperança de eu estar enganado.

Beijos a todos.



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