17 de Julho de 2005

A nova praga das rãs

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Quase Ciência, Sociedade

Um desastre de proporções bíblicas, mas sem rãs pulando no seu prato, subindo pela sua calça e brotando do ralo da pia. O que poderia ser pior que uma praga de rãs? Rã nenhuma, é claro.

O que poderia ser pior que uma praga de rãs?

Faz alguns anos que venho acompanhando a notícia de que os sapos e rãs estão desaparecendo em velocidade alarmante em diferentes lugares do mundo – e depois de ler tantos artigos em publicações diferentes (por exemplo aqui e aqui) sou forçado a concluir que não é mesmo lenda urbana.

Os dados vem de exatamente todas as regiões do globo: os pântanos nunca foram tão silenciosos. A partir de 1989 os cientistas começaram a perceber um sensível declínio na população mundial de anfíbios, e a tendência nos últimos anos parece ter apenas se acentuado. Em algumas regiões, como na América Central, na região das Rochosas nos Estados Unidos e em algumas porções da Austrália, para grande parte das espécies o declínio já chegou à extinção.

Ninguém sabe ao certo quantas espécies de anfíbios já desapareceram apenas no continente americano, que é lar de mais da metade do total mundial. No ano 2000 calculava-se que mais de 3000 espécies de anfíbios americanos corriam o risco de extinção, e fazia já anos que ninguém via um único espécime que fosse de 117 delas. Muitas dessas espécies de anfíbios, você já deve ter ouvido falar, são (ou eram) usadas como base para o desenvolvimento de novos remédios e tratamentos para um amplo espectro de doenças.

Não são apenas as espécies exóticas de sapos que estão desaparecendo em escala catastrófica, mas também as mais rasteiras e (anteriormente) comuns. As razões da extinção, embora ninguém saiba ao certo, estão certamente ligadas a mudanças no ecossistema geradas pela expansão das áreas de habitação e produção humanas. Os anfíbios desaparecem mesmo das reservas e áreas protegidas, por isso além da poluição e dos agentes locais os cientistas receiam que o aquecimento global, os raios ultravioleta e novos agentes infecciosos possam estar entre os culpados.

A extinção dos anfíbios só se compara em escala à extinção dos dinossauros.

Mais de um cientista afirmou que a presente extinção dos anfíbios só se compara em escala à extinção dos dinossauros, que também desapareceram cronometradamente e de uma hora para outra de toda a face do planeta, sem que ninguém saiba exatamente porquê.

Como o ecossistema é uma rede extremamente sensível, na qual em toda a criação apenas o homem ousa mexer deliberadamente, a nova praga do desaparecimento das rãs pode ser o gatilho para pragas novas e inesperadas, que tem o potencial de afetar muitas outras espécies além da humana. As moscas são apenas o começo.



5 Comentários a respeito de "A nova praga das rãs"

Manuel

Por incrível que pareça, ainda há quem associe os sapos a peçonha e a doenças. Infelizmente, sem anfíbios, o mundo vai ganhando uma peçonha real que muito custará a limpar. Se é que ainda vamos a tempo.



Paulo [brabo!]

“O sapo é amigo”, sempre dizia meu pai. A rã vermelha O sapo vermelho que me aguardava de noite à porta do monastério faz meses que não aparece.



Paulo Brabo

Está na revista Nature deste mês:

Extinções generalizadas de anfíbios intimamente relacionadas ao esquecimento global.

http://www.nature.com/nature/journal/v439/n7073/abs/nature04246.html



Silvana

Sempre tive medo de sapo, mas nunca desejei sua extinção. E o problema continua…

http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2006/jul/07/130.htm



bete

Que pena. Moro próximo a um córrego. É um silêncio só. Que saudades, meu Deus, do canto dos sapos.



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