10 de Maio de 2005

A falência do mundo

Fermentado por   Paulo Brabo

 

Estocado em Política

O mundo, senhoras e senhores, está falido. Financeiramente falando, é claro – como convém.

Não há dinheiro para todo mundo, não há produção que chegue para salvar o rombo, não há solução para os dilemas econômicos mais básicos. Não há fundos para pagar os aposentados de qualquer país, não há como sintetizar um barril de petróleo, não há alternativa para baixar a inflação sem lançar num caos a distribuição (seja lá o que isso queira dizer: se for pessimista quanto ao futuro do capitalismo, tem algum fundamento).

Sucessos invictos como os Estados Unidos afundam-se em dívidas titânicas, as linhas internacionais de moratórias e dependências de importação se cruzam mas não se anulam, a demanda pela demanda é ainda maior do que a onipresente oferta. Se todas as transações de todos os mercados parassem nesse exato momento para um rápido acerto de contas, todo mundo ficaria devendo alguma coisa para alguém. Todos sentariam na calçada para chorar.

A cada dia são registradas mais marcas do que são emitidas cédulas. Criam-se novos mascotes, registram-se novos websites, deslancham-se novas promoções. As universidades despejam ansiosa competição num ambiente já altamente salinizado e hostil. Tanta coisa gera valor simultaneamente que num dado momento não resta valor distinto para o que quer que seja.

Como parece não haver vida financeira em Marte e como a agência mais próxima do Fundo Monetário Intergalático fica mais distante do que temos fundos para bancar a ligação ou a viagem, o resumo da auditoria é que estamos todos num mato sem cachorro. Num túnel sem luz no fim. Estamos feios na foto. Estamos fritos. E mal pagos.

O único meio são de evitar que os civis comecem a pular descontroladamente de prédios, como aconteceu durante a longa crise de 1929, é ignorar a coisa toda. Ir empurrando com a barriga até que entre um campo uma geração cuja obrigação seja nos sustentar – e não nós prepararmos o futuro para eles.

Resolvido, então.

Sigamos para o próximo assunto.



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Versões digitais dos manuscritos da Biblioteca do Monastério de São Brabo, nas Índias Ocidentais.
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