A mão do Jocivan
Pormenor
Contou-nos o Jocivan que um dia desses teve de ir ao Hospital Angelina Caron para tomar uma injeção, dessas que são injetadas numa veia da mão. Ele esperava sentado numa mesinha de exame quando uma enfermeira que ele nunca tinha visto antes entrou de repente na sala e tomou imediatamente a mão dele nas suas.
– Mas que mão bonita! – ela disse, e repetiu a sua convicção várias vezes e de várias formas, muito efusivamente, enquanto acariciava a mão do homem sem qualquer constrangimento.
A mão do Jocivan é realmente bonita, uma mão distinta, mão de homem que trabalha, muito queimada de sol, mas admirável mesmo achei ser essa dona que soube expressar sem qualquer constrangimento a sua admiração por algo tão (se é que posso usar a palavra para qualificar a mão do Jocivan ou de quem quer que seja) comum.
Olhai os lírios do campo, Jesus convidava, provocando-nos a enxergar a beleza no que é rasteiramente comum. Ele sabia dizer que um mundo mais equilibrado e mais são requereria menos lírios e mãos bonitas do que gente capaz de apreciá-los.




