Manuscritos estocados em Fevereiro do Anno 2005 de Nosso Senhor
28 de Fevereiro de 2005

Margem de caderno: Braziliana Jones©

Jurássicas

Fui esboçando as aventuras do cachorro FM (Freqüência Modulada) a partir dos 17 anos, ao longo da minha deliciosa correspondência com Martin Swalboski (que inspirou a fonte Swalboski Document, mas essa é outra história). O FM se tranformava ocasionalmente no indômito mas moralmente ambíguo Braziliana Jones©, cujas aventuras estão registradas em inúmeras margens de caderno.

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Para ver a imagem toda e o tamanho da maldade, clique aqui.

Parece confirmado que foi mesmo Braziliana Jones o autor da conhecida e cafajeste frase “não se bate numa flor nem com uma mulher”.

27 de Fevereiro de 2005

Especially for you

Nostalgia

Um dia desses re-ouvi Especially for you (1988), um duetinho romântico cantado por Jason Donovan (quem quer que seja o sujeito) e uma ainda jovenzinha Kylie Minogue, e fui varrido – arrebatado, sugado, abduzido – de volta para os anos 80. Fui forçado a admitir que para mim Aqueles Dias são a irrecuperável, açucarada e idealista década de 1980.

Meu amigo Ivan ponderou certa vez que no paraíso encontraremos todas as melhores versões de nós mesmos, em todas as idades. Haverá ali diversos eus, por assim dizer: o bebê, a criança, o adolescente, o adulto e o idoso – convivendo juntos, criativamente e independentemente, e finalmente em paz. O céu deverá produzir então essa definitiva terapia, em que todas as nossas idades serão redimidas.

Na inesgotável realidade geográfica e histórica do paraíso, depois que eu e todos os meus eus tivermos devassado todas as eras e todos os possíveis destinos, depois de me demorar na década 1940 e nas cidades perdidas da Índia e nos penhascos do Nepal, depois que tivermos derramado por incontáveis eras as primeiras gotas de gratidão aos pés do Admirável, sei que voltarei sempre a Aqueles Dias de 1980.

É sempre ali que estará minha casa, por assim dizer. Tudo que veio antes será para sempre passado, tudo que veio depois apenas futuro. Minha própria plenitude dos tempos, por assim dizer.

I wanna let you know what I was going through
All the time we were apart I thought of you
You were in my heart
My love never changed
I still feel the same
I wanna tell you I was feeling that way too
And if dreams were wings, you know
I would have flown to you
To be where you are
No matter how far
And now that I’m next to you
No more dreaming about tomorrow
Forget the loneliness and the sorrow
I’ve got to say
It’s all because of you
And now we’re back together, together
I wanna show you my heart is oh so true
And all the love I have is
Especially for you

26 de Fevereiro de 2005

O Princípio do Memorando

Manuscritos

O que me lembra:

A função do memorando não é informar quem recebe; é proteger quem envia.

Válido também para os emails com cópia.

25 de Fevereiro de 2005

O direito de permanecer calado

1984

Há dez anos atrás o que você dizia podia não importar muito, mas o curioso da era da internet é que muito mais coisa está sendo colocada e deixada por escrito, na forma de mensagens de e-mail, conversações de chat (algumas delas gravadas automaticamente), comentários e blogs.

Tudo que você disser poderá ser usado contra você. E eventualmente vai.

Em abril passado a jornalista Rachel Mosteller escreveu, sob um pseudônimo, a seguinte entrada no seu blog pessoal:

Odeio o meu local de trabalho. Sério mesmo. Tudo bem, primeiro. Eles tem esses premiozinhos estúpidos que espera-se aumentem a motivação do pessoal. Você vai e faz alguma coisa “espetacular” (com toda a probabilidade você está fazendo é o seu TRABALHO) e daí alguém diz “Caramba, isso foi espetacular”, então escrevem seu nome num papel, trazem chocolate e balões de gás.

Duas pessoas na redação ganharam isso. POR FAZEREM O TRABALHO DELAS.

Note que:
( 1 ) o nome verdadeiro da jornalista não aparecia no blog;
( 2 ) o nome da empresa onde ela trabalhava não aparecia no blog;
( 3 ) o nome do chefe da jornalista não aparecia no blog;
( 4 ) o nome dos dois empregados premiados com chocolate e balões de gás não aparece no blog;
( 5 ) a cidade ou o estado do odiado “local de trabalho” não apareciam no blog

Mas alguém estava lendo. No dia seguinte a dona foi despedida.

A matéria do Washington Post em que li essa notícia menciona uma série de outros casos de gente que foi mandada para a rua por desfiar opiniões – digamos – pouco lisonjeiras sobre seus locais de trabalho em seus blogs pessoais.

E agora, José? Onde começa a vida pessoal e termina a vida corporativa?

Antes que eu caia em maus lençóis, cabe dizer que tudo aqui na Bacia das Almas é ficção; que qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas, etc, etc, etc; e que se o que eu disser puder ser interpretado de mais de uma forma, interprete por favor da forma mais amena, mais inócua e menos inteligente.

Vai ser melhor pra todo mundo.

24 de Fevereiro de 2005

O Mundo Perdido, última parte

Fotografia, Nostalgia

Conclusão das partes um e dois.

A eternidade é uma plantações de arroz, mas nem mesmo o eterno precisa manter necessariamente a mesma feição. As duas fotos antes das imagens da estrada, no pé da página, mostram o mesmo campo que no dia anterior era de um verde cintilante e impossível.

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