Numa extensa faixa central do estado de Santa Catarina encontram-se ainda traços da colonização européia no jeito de falar das pessoas. O sotaque mais característico da região é aquele que leva o sujeito a dizer ere ao inves de erre, mesmo quando o r é duplo ou aparece no começo da palavra. Aquela é a tera do mareco com r’epolho roxo, onde se diz bê-ére e baranco.
Servindo de guia a um funcionário da GM de São Paulo que estava visitando aquela região, meu pai resolveu mostrar-lhe um expoente desse lado pitoresco e levou-o consigo a uma oficina onde trabalhava um sujeito conhecido pelo seu sotaque particularmente marcado. Em pé ao lado do visitante observador, meu pai começou a puxar conversa com o mecânico em questão. O catarina, percebendo que estava sendo sondado, fechou-se e só respondia com monossílabos.
Depois de várias tentativas sem sucesso de levar o sujeito fazer uma brilhante demonstração do seu sotaque, meu pai perguntou diretamente se ele não ia responder as suas perguntas.
– Eu não – respondeu o catarinense entre o acanhado e o ofendido. – Você quer que eu fale erado só pra r’ir de mim.
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