Cabe ao judeu alemão Fritz Haber, ganhador do prêmio Nobel pela descoberta da amônia e um dos maiores químicos do século XX, o perturbador título de pioneiro da guerra química. No início daquele século o uso de armas que viriam a ser chamadas “de destruição em massa” foi pela primeira vez tornado tecnicamente viável – embora fosse controverso e violasse descaradamente as Convenções de Haia de 1899 e 1907. Quem conta é John Cornwell, em seu Os Cientistas de Hitler.
Às 5 da tarde de 22 de abril de 1915, Haber e sua tropa de gás, conhecida como Pionierkommando 36, achavam-se entrincheirados ao longo de uma frente de seis quilômetros em Ypres, diante de territoriais franceses e de uma divisão argelina do Exército francês. Seus cientistas estavam carregados de 5.370 cilindros, cada um pesando 100 quilos, de gás cloro em forma líquida.
Ele alegou que a nova tecnologia em armas tinha o poder de salvar vidas, pois podia assegurar uma rápida vitória.
Quando veio a hora de atacar, os operadores – usando máscaras protetoras – abriram as válvulas e liberaram todo o contéudo em dez minutos. Um espetacular lençol, com cerca de 1,5m de altura, de denso gás verde-amarelado deslocou-se sobre a terra de ninguém, levado por um vento que soprava para o oeste, até as trincheiras aliadas. Os soldados que não foram sufocados deixaram as trincheiras e fugiram, abandonando cinqüenta canhões. A infantaria alemã então atravessou a terra de ninguém e tomou as trincheiras aliadas.
Franz Haber, então professor na Universidade de Berlim e diretor do Instituto Kaiser Gulherme de Físico-Química, fora o pioneiro do gás venenoso, quebrando de forma atroz as normas aceitáveis da guerra no início do século XX. Ele alegou, a exemplo do que fariam outros pioneiros do gás, como o físico britânico J, B. S. Haldane, que a nova tecnologia em armas tinha o poder de salvar vidas, pois podia assegurar uma rápida vitória. Haber acreditava, ou pelo menos assim o disse, como Haldane, que a guerra com gás era “uma forma superior de matar” – que ser ferido por gás era melhor que ser feito em pedaços por uma granada convencional.
O cloro ataca as mucosas do nariz, da boca e da garganta, causando asfixia e cegueira.
O uso de armas químicas na Primeira Guerra foi o gatilho de uma sem precedentes escalada de violência. Uma vez que as normas da guerra foram violadas, o outro lado não viu porque continuar a submeter-se a elas. Até o final da Primeira Guerra ambos os lados haviam colocado em ação uma multidão de agentes químicos letais, especialmente gases venenosos – muitos deles mais eficazes do que o cloro.
A esposa de Haber, ela mesmo cientista e veementemente contrária ao uso da ciência para fins não-pacíficos, suicidou-se com um tiro no peito logo após a primeira experiência bem-sucedida do marido com o gás venenoso no campo de Ypres. Ela morreu nos braços do filho, que também se suicidaria mais tarde, e “na própria manhã em que ela morreu Haber deixou a casa e viajou atá frente oriental, para iniciar um ataque com gás contra os russos”.
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A Segunda Guerra, no entanto, estava por vir, e o gás venenoso se voltaria ainda mais letalmente contra os próprios alemães – especialmente os judeus como Haber.
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