Até hoje, quando saímos para viajar de carro, meu pai insiste em que só “fica satisfeito” quando sente que está perdido: indo aonde jamais esteve por um caminho que não conhece e sem jamais saber exatamente onde está. Na prática esse código pessoal dele não não implica apenas em tomar estradas secundárias, apelar a atalhos a que ninguém recorreria e esquadrinhar o Mapa Rodoviário 4 Rodas em busca de caminhos alternativos; implica também em jamais parar para pedir informações.
A não ser em último caso, como aconteceu uma vez (há muito tempo) quando ficamos mais de uma hora perdidos dentro de uma única cidade de Santa Catarina procurando a saída para determinada rodovia que deveria nos levar ao nosso destino final. Por insistência talvez da minha mãe, meu pai finalmente cedeu e parou para pedir informações a um pedestre junto a uma praça muito arborizada bem no centro da cidade.
– Por favor, vizinho – ele perguntou, muito indignado consigo mesmo (e conosco) por estar sendo obrigado a violar o seu código pessoal, – pode me dizer onde fica a saída para Rio do Sul?
Mesmo antes de superar a sua incredulidade inicial, o rapaz dignou-se a responder:
– Aqui é Rio do Sul.




