26 de Outubro de 2004

Sem garantias

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Goiabas Roubadas, Homens e Mulheres

Outro dia um amigo (homem) me mandou um recado eletrônico perguntando quando sai a terceira e última parte de O Enigma de Páris. Pois essa preciosidade ainda está no forno, mas nesse meio tempo meu melhor amigo, Ivan, o Justo, depois de ler O sonho de Jair – versão expandida deixou na Bacia o seu primeiro comentário. Faço questão de trazê-lo à tona, porque entre outras coisas aqui está encapsulado tudo que ainda tenho a dizer sobre Páris e Helena.

Admirável Paulo,

Percebi uma ponta de ironia em seu conto, aplicado aos motivos e aos modos de fazermos nossas escolhas. Em seu conto amor e paixão confundem-se, apresentam-se como sinônimos, e assim é. A paixão não é inconstante nem o amor é firme, apenas as pessoas são. Mas isso é apenas parte da questão.

Seu conto deu voz a esta reflexão. É reflexão, não nego, fala de mim.

Duas coisas me chamaram a atenção em seu conto. O medo de Jair e sua escolha.

Avaliando o significado do dito e do gesto de sua noiva, parece que Jair encontrou mulher melhor do que estava procurando. O absurdo de sua escolha não parece ter resultado em erro, e é interessante a implicação de que a correção de uma escolha não seja garantia de acerto. O que também é sabido pela experiência.

Quanto ao medo de Jair, quero observar que mesmo dizendo que seu sonho é casar-se com uma mulher que não estivesse apaixonada, parece que o que o Jair realmente quer é evitar casar-se com uma mulher que venha a tornar-se infeliz por desiludir-se dele.

A paixão não é inconstante nem o amor é firme, apenas as pessoas são.

Sem desmerecer a sua escolha, arrisco apresentar uma solução alternativa para o medo de Jair.

Não é errado dizer que a mulher que não pode desiludir-se não é somente aquela que desde cedo sabe que não tem paixão. Seria também aquela que admirasse o seu homem pelo que ele é. Aquela mulher que não atribuiria maior significado ou daria qualquer atenção a outra paixão que não fosse a por seu homem. Uma mulher que como expressão maior de sua feminilidade tem, ou teria, a maior satisfação em poder dizer: “meu homem a quem pertenço”, e isso bastasse. Tomo esta capacidade de admirar o masculino como característica necessária para definição do que é feminino. Resta-nos saber para quem de nós esta mulher existe.

Preciso esclarecer que ao dizer “homem” excluo todos aqueles que gabam-se de seus medos e apetites como se fossem expressão de verdadeira masculinidade. Esses são gente frívola, não são homem. São aquelas figuras estereotipadas, motivo da versão feminina do medo de Jair.

Sem dar nenhuma garantia de acerto a ninguém, sugiro àqueles que tem o mesmo anseio de Jair e sua noiva, que antes de casar, sinceramente, avaliem a aptidão sexual sua e de seu par, fazendo uma reflexão de sua masculinidade e feminilidade baseada nas seguintes questões. Perguntem e perguntem-se: Mulher, você é capaz de admirar um homem pelo que ele é? e, Homem, você é realmente admirável? Do contrário, se não é um homem que você quer, ou se você outro prefere não agir como homem, não complique a vida de ninguém. O casamento não foi feito para você. Agora, para quem sinceramente e conscientemente quer e realmente é apto, nunca é demais frisar: não há garantias.



Um comentário a respeito de "Sem garantias"

Farah

Eu teria muito a comentar mas tenho duas ex mulheres, uma atual e quatro filhas, todas admiravéis, e muito apreço pela vida :mrgreen:, de modo que estou ainda pensando se coloco meus comentarios.



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