20 de Setembro de 2004

Realmente

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em História

A mesa porão os resposteiros da copa, para o que terão uma esteira de verão, e alcatifa de inverno que será na largura e comprimento, de modo que a mesa fique posta na ponta da alcatifa, para que o trinchante, e oficiais da mesa não fiquem com os pés postos nela, e só o ficarão os moços fidalgos que estão de joelhos chegados à cadeira. Se na casa houver docel, se porá debaixo dele. Tanto que a mesa estiver posta, e nela se puser o saleiro, e o pão, ou alguma cousa de comer, assistirá o manteeiro da mesma casa, até que sua majestade vá para a mesa, porque a ele toca dar conta do que ali se puser de comida; e tanto que a mesa estiver posta não se cobrirá nenhuma pessoa das que estiver na casa, ainda que seja título, e menos passearão, ou se assentarão.

As iguarias hão de vir acompanhadas da cozinha para a copa do vedor da semana, o qual virá sempre descoberto, ainda que seja título. Virão também com elas o guarda resposta, e o servidor da toalha da semana, e trá-las-ão os moços da câmara entre duas fileiras de soldados da guarda, e por onde quer que passarem, tirarão os chapéus todas as pessoas que as encontrarem, e que estiverem por onde elas forem parando, e desviando-se do caminho, ainda que sejam título.


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Do CERIMONIAL DA REFEIÇÃO D’EL REI DOM JOÃO IV, compilado por Luís da Câmara Cascudo e citado na Jangada Brasil.



2 Comentários a respeito de "Realmente"

Alice

Será que era complicado? Um absurdo todas essas regras prum rei fugido de Napoleão, que saiu correndo de Portugal.
:roll:



manuel

Pelo que sei, o protocolo de Luís XVI de França era bem mais complicado. E mais absurdo ainda (principalmente as noções de higiene, que se limitavam a humedecer levemente as pontas dos reais dedos)…



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