Num livro de John Stott que estou traduzindo encontrei uma frase sobre o gnosticismo, a facção herética que quase apagou a originalidade do cristianismo primitivo, que me deixou matutando por vários minutos:
O gnosticismo ensinava, por exemplo, [...] que a carne é maligna e [...] que a salvação depende do conhecimento e do ritual.
O que me levou a matutar foi o fato de que são precisamente esses três pontos, (1) a idéia de que a carne é essencialmente maligna e por isso vale à pena salvar a alma mas não transformar o mundo, (2) a associação da salvação com o conhecimento de determinadas fórmulas que possibilitem a “crença correta” e (3) a teimosa ênfase prática no ritual, o que mais me desanima no cristianismo institucional como é experimentado hoje.


Tiago André de Oliveira
… a teimosa ênfase prática no ritual…
Acho que abandonar o ritual de uma vez por todas é o que alguns fizeram, e se “perderam”. Acho que é da cultura nacional a crença no Ritual, e até hoje não sei como combater esta falta que fez em minha criação a inexistência do Ritual de acesso ao deus ex-machina (algo que sempre consertará algo que estrago, ou me tirará de impasses absolutos). É como saudade de algo que nunca tive…