A vida de cada homem gira sempre em torno de um único período de tempo, um período circunscrito no intervalo de poucos meses, que define para sempre quem somos e o que iremos fazer. Tudo que acontece antes ou depois é avaliado e observado a partir da perspectiva dAqueles Dias. De certa forma, nada mais acontece na vida de uma pessoa, a não ser o que acontece nAqueles Dias. O que veio antes é um breve prólogo; o que vem depois é, na pior das hipóteses, uma longa e elaborada nota de rodapé; na melhor, um pungente álbum de fotografias. Para uns poucos, a vida inteira é uma homenagem, uma intensa celebração Àqueles Dias.
Para Rui Moreira Lima esse momento, esse fulcro ao redor do qual a sua vida havia sido mapeada, eram os dias do 1º Grupo de Aviação de Caça, o seu glorioso, assombroso e terrível período como piloto de caça da FAB na Segunda Guerra Mundial. Era esse o buraco negro que sempre o atraía, a cena do crime à qual ele voltava, o palco onde se passava cada cena da sua ópera.
Hoje ele era o respeitável Major Brigadeiro do Ar Rui Moreira Lima, reformado; mas no íntimo, no fundo do coração, era ainda o Rui, o afobado e inquieto Rui dAqueles Dias, sempre com uma opinião para dar, o coração na mão, uma lágrima eterna ameaçando rolar sem motivo pelo rosto.
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Sinto-me jovem o bastante para ter ainda de medo de parecer piegas, e O Último Adelfi é sem dúvida alguma a coisa mais piegas que já escrevi. É apenas tremendamente sincero, e é só isso que me leva a tomar coragem e levantar este conto das minhas coisas que creio não vale a pena publicar.
Tudo no conto é verdadeiro, inclusive minha evidente admiração pelo assunto e pelo protagonista – exceto, que eu saiba, o encontro entre Rui e a fictícia Clarice. Se você ainda não viu o documentário Senta A Pua, sobre a participação da FAB na Segunda Guerra Mundial, procure ver.
Troquei alguma correspondência com o Rui alguns anos atrás depois de ler o seu pungente Senta A Pua (o livro). O cara é gente finíssima, ainda mais que o documentário consegue mostrar.
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Alice
Li tudo de novo e chorei de novo.
É bem lindo.
Mustafá
Purim
Que piegas nada. É uma das mais belas e sensíveis homenagens à coragem e ao senso de humanidade.
Cada dia te admiro mais, amigo.
Musta
Farah
Cara! Não acredito! Você me fez chorar…
O que é ser piegas Paulo?
Como vc julgou teu proprio texto, talvez deva rever meus conceitos, mas creio que não, essa narrativa que me fez chorar não é piegas, pelo contrario é tocante e verossímil, desde a análise dos sentimentos até a espontanêidade do envolvimento dos personagens, vc manejou a narrativa com perfeição. Paulo eu tenho 50 anos leio livros desde os 8, antes disso minha mãe lia em voz alta para mim; ou eu fiquei piegas e emotivo de repente (muito de repente) ou teu texto realmente me pegou.
Continue, escreva, escreva muito por favor.
Um grande abraço Farah
Farah
Finalmente, por sorte ou coincidência, que todos sabemos não existe. Assisti numa madrugada na TV Cultura o documentário sobre a atuação da FAB na Itália. Muito bom os depoimentos, todos. E a farta documentação realmente me surpreendeu. Os cineastas de plantão deveriam prestar atenção a um material histórico tão rico e com tantos protagonistas prontos a contar suas histórias e a de seus companheiros.
Paulo [brabo!]
Só falta agora, Farah, ler o livro, que é melhor que tudo isso junto. Senta A Pua, de Rui Moreira Lima, à venda nos sebos mais obscuros do Brasil.
Junior
Uau, nem saí de 2004 e os textos têm me envolvido tanto, será que chegarei a 2007.