15 de Novembro de 2004

O fim do passado e do futuro

Confiscado por   Paulo Brabo

 

Estocado em Goiabas Roubadas, História, Sociedade

Christopher Lasch

A paixão predominante é viver para o momento – viver para si mesmo, não para seus predecessores ou para a posteridade. Estamos perdendo rapidamente o senso de continuidade histórica, o senso de pertencer a uma sucessão de gerações que se origina no passado e estende-se futuro adentro. É o esvanecimento do senso histórico de tempo – em particular a erosão de qualquer preocupação mais forte com a posteridade – que distingue a crise espiritual dos anos 70 dos surtos anteriores de religião milenar, com os quais ostenta uma semelhança superficial.

Estamos perdendo rapidamente o senso de continuidade histórica, o senso de pertencer a uma sucessão de gerações.

Depois do tumulto político dos anos 60 os norte-americanos recolheram-se para preocupações puramente pessoais. Não tendo esperança de melhorar suas vidas de qualquer maneira que realmente importe, as pessoas convenceram-se que o que importa é o aperfeiçoamento psíquico: entrar em contato com seus sentimentos, comer comida natural, ter lições de balé ou de dança do ventre, mergulhar na sabedoria oriental, fazer caminhadas, aprender como “relacionar-se”, vencer o “medo do prazer”. Inofensivas em si mesmas, essas buscas, elevadas ao nível de programa e embaladas na retórica da autencidade e da consciência, representam um recuo da arena política e um repúdio do passado recente. Os norte-americanos parecem de fato querer esquecer não apenas os anos 60, as demonstrações públicas, a nova esquerda, as perturbações nos campus estudantis, o Vietnam, o escândalo Watergate e a presidência Nixon, mas todo o seu passado coletivo, mesmo na forma antisséptica em que foi celebrado durante o Bicentenário.

O filme Sleeper, de Woody Allen, lançado em 1973, captura de forma muito acurada o espírito dos anos 70. [...] Quando perguntado em que acredita, Allen, depois de descartar a política, a religião e a ciência, declara: “Acredito no sexo e na morte – duas experiências que só acontecem uma vez na vida”.

Cultura e NarcisismoVida Norte-Americana numa Era de Expectativas Minguantes (1979)

Leia também:
A ansiedade das coisas
Provincianos do tempo



Inquisição


Arquivos


Versões digitais dos manuscritos da Biblioteca do Monastério de São Brabo, nas Índias Ocidentais.
Lista de entrega

Clique aqui para receber o conteúdo da Bacia por e-mail