UMA CARAVANA BATISTA ATACADA A’ BALA.
Transcrevemos do «Diario da Tarde», Curityba, de 14 de janeiro corrente a seguinte noticia:
ATACADOS A TIROS, NA ESCURIDÃO DA NOITE
Em Urubicy, uma caravana evangelica se viu inopinada e barbaramente aggredida.
Costumam os pastores evangelicos, como os catholicos, percorrer, em missão religiosa, varias zonas do paiz. Em nosso Estado é frequente a excursão de taes sacerdotes, que se fazem acompanhar, não raro, de familias. A confiança com que realizam o seu trabalho, lhes advêm, sem duvida, do liberalismo de nossas leis, que lhes facultam esse direito, o de locomoção e propaganda.
Foi fiado nessa franquia que o rev. João E. Henck, ministro evangelico, residente em Curytiba, se dispoz, acompanhado de outros fieis ao mesmo credo, senhoras, e diversas crianças, a percorrer Santa Catharina.
De volta, agora, do interior, o referido ministro nos visitou, narrando-nos os factos que seguem, e que destoam, evidentemente, das nossas normas de hospitalidade e respeito à crença alheia, merecendo, assim o mais energico correctivo.
Em Urubicy, no valle do Canoas, a caravana dirigida pelo rev. Pastor Henck realizou o seu culto na praça local, não sem que fosse alvo da ameaça de batatas e ovos, a que fechou ouvidos.
Preparados para a viagem, deixou a caravana a localidade viajando as senhoras e crianças num caminhão e os homens numa carroça, a 200 metros daquelle vehiculo, rumando a Bom Retiro. A’ saida da localidade, porém, cerca de meio kilometro, na «Avenida Adolpho Konder», seriam, então, 22 horas, os viajantes foram inopinadamente atacados a tiros sem poderem, na escuridão da noite identificar seus estupidos aggressores.
O carro foi attingido por cerca de 12 projetis, que nelle ficaram encravados. Uma das balas feriu gravemente o jovem missionario Alfredo Auras e levemente Sizimundo Andermann, arranhando uma outra a fronte duma senhorinha e attingindo outra a direcção do caminhão, não alcançando o chauffer por verdadeiro milagre.
Esses factos foram verificados terça-feira ultima, 8 do corrente. Chegado a esta capital, o rev. Henck levou-os ao conhecimento da Policia Civil, que prometteu tomar as necessarias providencias.
Accrescentou-nos o illustre pastor evangelista, cujas declarações aqui reproduzimos, que viajava em sua companhia o sr. A. Ben Oliver, cidadão norte-americano.
Estamos que o sr. dr. Secretario da Segurança já terá agido a respeito a esse brutal attentado, de sorte a se apurarem responsabilidades, punindo-se, como é de mistér, os barbaros aggressores.
O rev. Henck demorou-se ainda algum tempo em nossa redacção, fazendo elogiosas referências ao «Diário da Tarde», a que somos muito gratos.»
(matéria de O Jornal Batista de 28 de janeiro de 1937)

Dário
Muito sinistro. É impressão minha ou foi retaliação em face do culto?