Flash mob é um substantivo novo para descrever um grupo de pessoas que, coordenadas por uma rede de e-mail ou telefone celular, reúnem-se num local predeterminado, executam alguma breve ação conjunta e dispersam-se logo em seguida.
Embora existam flash mobs que ajuntam-se com objetivos que se encaixam num cenário maior (digamos, para realizar uma passeata de protesto ou mesmo um ato de terrorismo), a tarefa executada por uma flash mob tem mais comumente uma natureza mais descabida e sem sentido (aquilo que os americanos chamam de pointless). Flash mobs fazem coisas como sentar numa escadaria e bater palmas por quinze minutos, colocar uma etiqueta de preço em todas as folhas das árvores de uma praça – ou, como fizeram em São Paulo, sair de mãos dadas pelas ruas carregando os sapatos nas mãos.
Assim que ouvi falar do conceito não pude deixar de pensar que as flash mobs são o ícone mais adequado para a nossa época. São um tremendo e, pensando retrospectivamente, inevitável resumo das tendências (dissociativas?) assumidas pela sociedade ocidental.
A rapidez da reunião e da dispersão, a natureza descompromissada e sem propósito da tarefa, a ausência de qualquer compromisso posterior entre os integrantes – todos esses elementos refletem tendências que aparecem, de uma forma ou de outra, em tudo que a sociedade está fazendo. Em tudo que estamos fazendo. Uma flash mob é um casamento em que enlace e divórcio são quase simultâneos, uma sociedade complexa e organizada que se faz e se desfaz num ritmo alucinado de Koyaanisqatsi.
As flash mobs são ao mesmo tempo protesto, diagnóstico e terapia de um momento muito peculiar da história humana. Talvez faça bem pra mim e pra você participar de uma.




