
Plínio Salgado era, por tudo que se sabe, um sujeito bem-intencionado. O escritor e sociólogo participou ativamente da Semana de 22, publicou um romance que ergueu-o por diversos anos ao posto de figura mais proeminente do Modernismo brasileiro, foi Deputado Estadual e membro da Academia Brasileira de Letras; católico zeloso, escreveu uma reverente Vida de Jesus – que, pelo tamanho do volume que vi na casa do meu tio João, tem de ser mais extensa do que o próprio Novo Testamento. Mesmo anos depois que o movimento político que deflagrou virou estigma e perdeu todo destaque que teve no cenário nacional, nada no seu currículo deixa entrever que Plínio Salgado tenha agido de má-fé.
“A direita é a união sagrada em torno da Bandeira da Pátria, das tradições nacionaes, é a virtude, é a castidade, é o heroísmo, é a religiosidade, é a delicadeza de sentimentos, é o pudor individual e collectivo, é o sacrifício, é a honra de uma nação.”
Em 1932, dois anos depois de uma viagem à Europa na qual conheceu o fascismo italiano e encontrou-se com Mussolini, Salgado fundou a Ação Integralista Brasileira – uma contrapartida tupiniquim dos movimentos fascistas europeus. Embora sustentasse algumas idéias poderosas e originais e apresentasse o Integralismo como “a última expressão do espírito bandeirante”, é tentador enxergar o movimento integralista como uma aventura cabocla calcada na máquina ideológica de Hitler – completa com suas próprias versões da suástica, da saudação nazista, dos ambiciosos desfiles, do antisemitismo (veja a menção aos “livrecos enviados pela França judaizada”, na página 3 da Carta abaixo) e da Juventude Hitlerista.
Os integralistas defendiam, como os nazistas, um discurso político muito peculiar: entre outras coisas, eles eram radicalmente contra os comunistas-marxistas, contra a democracia liberal e contra o capitalismo.
Encontrei esta Carta aos inconscientes entre os documentos do meu tio-avô Reynaldo Purim.
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“Chamam-n’os de extremistas. Não somos extremistas da ambição e da violência mas somos extremistas da dignidade do Brasil. Somos extremistas em nosso amor a Deus. Somos extremistas no culto das virtudes.”
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