23 de Agosto de 2004

1936, Plínio Salgado: Carta aos inconscientes

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Documentos, Politica, Sociedade

Plínio Salgado era, por tudo que se sabe, um sujeito bem-intencionado. O escritor e sociólogo participou ativamente da Semana de 22, publicou um romance que ergueu-o por diversos anos ao posto de figura mais proeminente do Modernismo brasileiro, foi Deputado Estadual e membro da Academia Brasileira de Letras; católico zeloso, escreveu uma reverente Vida de Jesus – que, pelo tamanho do volume que vi na casa do meu tio João, tem de ser mais extensa do que o próprio Novo Testamento. Mesmo anos depois que o movimento político que deflagrou virou estigma e perdeu todo destaque que teve no cenário nacional, nada no seu currículo deixa entrever que Plínio Salgado tenha agido de má-fé.

“A direita é a união sagrada em torno da Bandeira da Pátria, das tradições nacionaes, é a virtude, é a castidade, é o heroísmo, é a religiosidade, é a delicadeza de sentimentos, é o pudor individual e collectivo, é o sacrifício, é a honra de uma nação.”

Em 1932, dois anos depois de uma viagem à Europa na qual conheceu o fascismo italiano e encontrou-se com Mussolini, Salgado fundou a Ação Integralista Brasileira – uma contrapartida tupiniquim dos movimentos fascistas europeus. Embora sustentasse algumas idéias poderosas e originais e apresentasse o Integralismo como “a última expressão do espírito bandeirante”, é tentador enxergar o movimento integralista como uma aventura cabocla calcada na máquina ideológica de Hitler – completa com suas próprias versões da suástica, da saudação nazista, dos ambiciosos desfiles, do antisemitismo (veja a menção aos “livrecos enviados pela França judaizada”, na página 3 da Carta abaixo) e da Juventude Hitlerista.

Os integralistas defendiam, como os nazistas, um discurso político muito peculiar: entre outras coisas, eles eram radicalmente contra os comunistas-marxistas, contra a democracia liberal e contra o capitalismo.

Encontrei esta Carta aos inconscientes entre os documentos do meu tio-avô Reynaldo Purim.

Clique para ver as páginas 1 e 4

Clique para ver as páginas 2 e 3

“Chamam-n’os de extremistas. Não somos extremistas da ambição e da violência mas somos extremistas da dignidade do Brasil. Somos extremistas em nosso amor a Deus. Somos extremistas no culto das virtudes.”



Um comentário a respeito de "1936, Plínio Salgado: Carta aos inconscientes"

Paulo [brabo!]

O confronto dos integralistas contra os comunistas em Bauru, mencionado na Carta como feroz argumento contra os “indiferentes”, é narrado com algum detalhe em outra passagem de Plínio Salgado:

“Os comunistas de Bauru, em numero superior a oitocentos, cercaram o hotel em que eu me achava, todos armados e em atitude agressiva, explodindo em vaias. Os integralistas que vieram cumprimentar-me, não passavam de uns oitenta. Eu os passei em revista, tendo esse pequeno grupo á minha esquerda e á direita a massa dos bolchevistas, que me vaiavam sem cessar. Pusemo-nos em seguida em marcha.

Mal tínhamos caminhado uns duzentos metros, começamos a ser alvejados por um forte tiroteio, que logo derrubou alguns companheiros nossos, feridos. Dispusemo-nos a reação. Nesse momento, um quadro horroroso se nos deparava. Os comunistas puseram na sua frente, como trincheira, mais de duzentas crianças. Por detrás delas é que atiravam. Estávamos impossibilitados de responder ao fogo.

Foi nesse momento que caiu morto nosso companheiro Nicola Rosicca. E nós nada podíamos fazer, ainda que estivéssemos muito bem preparados para uma luta, porque mataríamos as crianças!



Heaven's Radio
 

 
Inquisição


Arquivos
 

Versões digitais dos manuscritos da Biblioteca do Monastério de São Brabo, nas Índias Ocidentais.
Lista de entrega

Clique aqui para receber o conteúdo da Bacia por e-mail