Bem no comecinho de Os Caçadores da Arca Perdida, quando é abordado reservadamente por agentes do Serviço Secreto, o professor Indiana Jones não se surpreende muito ao ouvir que os nazistas estão em busca da Arca da Aliança. Tão bem informado quanto requer o roteiro, Indy sabe que os nazistas têm um grande interesse “pelo misticismo e pelo oculto” – não parece surpresa que eles estejam revirando o mundo à cata de um artefato como a Arca.
Se a busca da Arca parece ter sido invenção do roteirista, a obsessão dos nazistas pelo oculto está longe de ser.
Por razões difíceis de avaliar em retrospecto, os nazistas estavam prontos a defender a sério e investir pesado na pesquisa de teorias que hoje nos soam como a mais pura viagem. Basta que se saiba que os ideólogos nazistas acreditavam na Teoria do Gelo Eterno, que defende que a Lua e todos os astros estão cobertos de gelo e que as chuvas de granizo são decorrentes de meteoritos que se desintegram quando caem na atmosfera; que eles procuraram verificar, enviando custosas expedições científicas para lugares remotos, a validade de duas teorias mutuamente exclusivas da Terra Oca, uma das quais defendia que a Terra é um espaço escavado num oceano infindável de rocha e nós vivemos (pasme) dentro dela. Os nazistas acreditavam no éter, uma imponderável substância que sustentava os blocos de gelo no espaço, no Vril, uma misteriosa força mística dominada por raças arianas subterrâneas, e num passado remoto em que toda humanidade era formada de canhotos.
Isso em plena década de 1930, quando conceitos científicos avançados como a Teoria da Relatividade de Einstein já tinha deixado de causar grande controvérsia no resto do mundo.
A física de Einstein (não pesava em favor dele o fato de ser judeu) foi rejeitada pelos nazistas como “teórica”.
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