07 de Outubro de 2004

Bebeu Varsol?

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Gírias e Falares

Não sei se alguém já disse isso antes, mas a gíria é, naturalmente, uma espécie de poesia popular, uma manifestação espontânea e bem humorada da veia literária e trovadoresca das pessoas.

Ainda lembro o meu assombro satisfeito ao ouvir pela primeira vez a expressão “foi mal” no sentido de “desculpe, viu?”. Achei a frase extremamente original, evocativa e feliz: ao mesmo tempo humilde e bem-humorada. Se fosse num teatro, eu aplaudiria.

Embora o seu poder sugestivo, concentrado e renovador dos significados seja evidente, o valor artístico da gíria permanece sem ser celebrado. Aqui na Bacia, onde as idéias não descansam e estão condenadas à reformulação eterna, decidi corrigir isso. Abri uma categoria para registrar e celebrar as gírias que me parecem mais originais, sugestivas e nostálgicas.

Quero deixar hoje minha homenagem à singela expressão “Bebeu Varsol?”, usada no sentido de “ficou maluco”?

Por exemplo: tenho certeza que ao me ouvir defendendo a idéia que gíria é arte, alguém vai ser tentado a dizer que bebi Varsol.

Foi mal.



10 Comentários a respeito de "Bebeu Varsol?"

Alice

Uma expressão que sempre eu gostei era a que o Carlos usava. Quando todo mundo dizia “bacana” pra uma coisa boa, ele dizia “jóia”. Eu gostava.
:smile:



Paulo [brabo!]

Muito jóia – mais jóia é que ele usa a palavra ainda.



Manuel

Ainda há pouco tempo li “Os Miseráveis” (e “O último dia de um condenado”, escrito usando a gíria das classes inferiores da época) de Victor Hugo e também ele defende aí o uso da gíria, mais como obra de arte trágica que cómica… Mas há, provavelmente, gírias diferentes…



Paulo [brabo!]

Esqueci de dizer que suspeito que “foi mal” foi a solução que algum tradutor de TV encontrou para traduzir a gíria norte-americana “my bad”. Boa a tradução, anyway.



Flávia Fráá [Piraquara]

A melhor das melhores gírias q eu já ouvi, e sem dúvida, a mais marcante, foi obra sua Paulo! A famosa “essa tá no prástico”, usada para designar mulheres q já passaram da idade de meninas, mas ainda continuam com um belo corpo e muito bonitas!!! Lembro q vc falou isso na nossa viagem pra “Terra dos Tigres e Heróis”, se referindo à Larice!!! Ainda hj qdo eu digo pra ela q “ela tá no prástico”, ela “se mata de rir”!!!
:lol:



Paulo [brabo!]

E agora, Flávia, não sei dizer se essa gíria foi eu mesmo que inventei ou foi criação do meu amigo Giovanni Zanin (o legendário Fax Modem), com quem trabalhei numa agência de propaganda. Tem toda a cara dele. De qualquer modo, gosto bastante dela e aplica-se com certeza à Larice, a muitas outras mulheres e a alguns homens. Importante: quando uma pessoa está REALMENTE conservada ela não está apenas “no prástico”; dizemos que ela está “na caixa”.



Bruno

E Paulo, sabia que se você usar “my bad” na frente de um negro americano ou canadense, ele pode achar que você está curtindo com a cara dele? Quase me ferrei quando estive lá em Montréal… de tão acostumado a dizer “foi mal”.



Edu

Dae Paulão

Gíria é um troço massa meu, putzgrila, que manero. O interessante das gírias aqui no Brasil [só aqui??? Me corrijam] é o upgrade que elas sofrem, uma que eu NUNCA usei mas marcou uma época [a sua talvez Paulo???] é: “Uma brasa, mora?!?” A típica gíria nada a ver que colou, passou a ser nos anos 80 a tradicional: “Sacou?” hoje temos a versão revista e atualizada dela que é: “Sóóóóó”. O interessante das gírias é que elas podem em pouquíssimas palavras ilustrar perfeitamente algo que levaríamos horas para explicar, mas, ao mesmo tempo elas podem aumentar as horas de uma explicação sendo usadas o tempo inteiro sem nenhuma função, saca?
:lol:



Paulo [brabo!]

“As gírias podem em pouquíssimas palavras ilustrar perfeitamente algo que levaríamos horas para explicar.”

Sóóóóó.



Vando

Para um primeiro comentário não é lá essas coisas:

Mas, já é brow.

Paz,



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