Não sei se alguém já disse isso antes, mas a gíria é, naturalmente, uma espécie de poesia popular, uma manifestação espontânea e bem humorada da veia literária e trovadoresca das pessoas.
Ainda lembro o meu assombro satisfeito ao ouvir pela primeira vez a expressão “foi mal” no sentido de “desculpe, viu?”. Achei a frase extremamente original, evocativa e feliz: ao mesmo tempo humilde e bem-humorada. Se fosse num teatro, eu aplaudiria.
Embora o seu poder sugestivo, concentrado e renovador dos significados seja evidente, o valor artístico da gíria permanece sem ser celebrado. Aqui na Bacia, onde as idéias não descansam e estão condenadas à reformulação eterna, decidi corrigir isso. Abri uma categoria para registrar e celebrar as gírias que me parecem mais originais, sugestivas e nostálgicas.
Quero deixar hoje minha homenagem à singela expressão “Bebeu Varsol?”, usada no sentido de “ficou maluco”?
Por exemplo: tenho certeza que ao me ouvir defendendo a idéia que gíria é arte, alguém vai ser tentado a dizer que bebi Varsol.
Foi mal.
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