01 de Agosto de 2004

Baile de máscaras

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Manuscritos

Sempre cri que a principal dádiva do destino de um ator profissional é saber-se livre para viver a vida real sem máscara alguma – ao contrário de todo o resto das pessoas, que sente-se obrigada a viver fora do palco desempenhando infinitos papéis, assumindo inúmeras máscaras e trocando de figurino a cada ínfima cena. Creio que o que choca irremediavelmente as pessoas nos atores não é a sua habilidade sobrenatural em assumir com competência uma alma alheia, mas a insuportável transparência com que vivem suas vidas, movem seus corpos e desempenham seus próprios papéis: o quão descaradamente permitem-se ser eles mesmos.



7 Comentários a respeito de "Baile de máscaras"

Alice

Quem não é ator ou atriz e tenta viver a sua própria identidade choca o mundo com sua autenticidade. São rotulados como estranhos, agressivos, desajustados ou coisa assim.:roll:



Paulo [Bauru]

Este texto tem algo a ver com o novo lay-out da bacia?



Paulo [Bauru]

Aproveitando este contato, creio não estar sendo possível enviar uma msg para seu novo e-mail. Há um outro?



Paulo [brabo!]

Já te escrevi sobre o problema com o e-mail, Paulo, obrigado por me alertar. Quanto à relação entre o texto e o novo layout… só se for inconsciente – ou seja, é provável que haja.



Manuel Anastácio

Porquê um actor profissional? Por que não um actor amador? Por que não um sacerdote? Por que não um professor? Por que não qualquer profissão? Acho que somos todos actores profissionais – negarmos a máscara não está ao alcance de ninguém. Até aqueles que pretensamente são genuínos – se-lo-ão apenas na máscara que escolheram usar. Quem me disser: não uso máscara – ou é louco ou é morto…



Paulo [brabo!]

Talvez você esteja certo, Manuel. A autenticidade pode ser uma máscara como qualquer outra, o verdadeiro rosto permanece oculto por infindáveis máscaras subterrâneas… quando tiramos uma encontramos outra, por trás dessa ainda outra e assim por diante até o horror e a exaustão. Talvez recorramos a redes complexas e interconectadas de máscaras para ocultar alguma verdade definitiva e primal: que por trás da derradeira máscara está, inteiramente sozinho, ninguém, todos ou cada um. Talvez usemos a máscara para ocultar de cada um que somos todos a mesma pessoa.



nya

(as metades amorfas as proto verdades e as entranhas à mostra nao existe querermos ser além do que superficie e profundidade. as máscaras não são mentiras. são as verdades feias dos nossos medos e afinal talvez não exista tanta coisa assim de pessoalmente. o que restaria talvez fosse tão leve que se evaporava até sobrar algo sutil sutil e delicado como um halito sem corpo)



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