Esses dias eu estava lembrando do César, um sujeito que estou Administração comigo na Federal. Eu, ele, o Antônio César (não confundir) e o Jaderson costumávamos comer antes da aula (que começava às 18h30 e terminava às 23h30) um sanduíche numa lanchonete da XV que não existe mais (na quadra entre a Mariano Torres e o Teatro Guaíra – na verdade eles comiam um sanduíche: eu comia dois).
O engraçado a respeito do César (que tinha cabelos loiros curtos mas impecáveis, bochechas rosadas e um queixo quadrado de herói de seriado americano, daqueles de advogado) era que ele vestia-se como e tinha toda a pinta de um ambicioso jovem executivo de Nova Iorque (com óculos escuros Armani, cabelo armado de gel, sapatos italianos e casaco longo de lã), mas era petista radical e podia discursar horas e horas contra o governo, contra a injusta distribuição de renda e a favor da causa dos sem-terra. De fato era só isso que ele fazia conosco na lanchonete.
Não sei o que pensar ou dizer sobre o César. Como todo mundo, era uma contradição ambulante; ignoro qual dos dois lados dele acabou vencendo, se é que foi apenas um.
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