7 de Setembro de 1937, Curitiba.
O General José Meira de Vasconcellos, recém-chegado à região como comandante da 5a Região Militar e 5a Região de Infantaria, assiste às festividades locais organizadas para celebrar a data máxima da nação.
Vasconcellos está agitado na cadeira. Para começar, o desfile das tropas não é recebido com a empolgação que o General esperava de uma gente brasileira numa ocasião cívica. O povo o recebe “frio, os jornais mornamente, as sociedades e colégios tristonhamente”. Mas é o que vem a seguir que o deixa horrorizado.
“Antes criarmos ignorantes que criarmos traidores”
Vasconcellos descobre que na capital do Paraná quem resta para celebrar a data da independência é a juventude das sociedades estrangeiras: em particular, a então popular Juventude Hitlerista do Parana.
O General não odeia Hitler como nós (a Segunda Guerra é ainda uma sombria possibilidade no futuro), mas ele não consegue engolir uma afronta daquela natureza à “unidade nacional”. Nos meses seguintes Vasconcellos diagnostica que na Região Sul proliferam imúmeros “quistos” de cultura estrangeira – especialmente alemã, polonesa e italiana -, núcleos “isolados da vida nacional”. Ele alerta contra a “atitude internacional que insidiosa, traiçoeira e cavilosa, vem minando o ambiente da vida nacional, na preparação lenta do nosso aniquilamento”, e decide dar início ao que viria a ser conhecido como a Campanha de Nacionalização.
Sob a liderança de Meira Vasconcellos, Curitiba transforma-se na “Meca do civismo nacional”. Segue-se um número “sem par de festas cívicas, realizadas e conduzidas com impressionante elevação patriótica, por uma plêiade de oficiais, que sob a orientação máxima do General, empolgaram a Divisão e o povo”.
Sob a liderança de Meira Vasconcellos, Curitiba transforma-se na “Meca do civismo nacional”.
Na prática, o que a Campanha fez foi fechar escolas e sociedades estrangeiras e proibir reuniões ministradas em outras línguas. O impacto nos três estados da Região Sul, onde grande parte das escolas eram estrangeiras e nas igrejas os sermões eram pregados na língua dos imigrantes, foi incalculável.
“Na Escola Alemã [de Curitiba] tudo era alemão, desde o nome das classes escrito nas paredes, aos quadros que representavam personagens, paisagens e cenas históricas alemãs, aos professores alemães ou de origem, às aulas que eram todas ministradas em alemão, aos programas de ensino igual ao aprovado na Alemanha, ao regime escolar, à disciplina, ao método de educação física.”
Quem descreve é o Tenente Hugo Bethlem, em seu Vale do Itajaí – Jornadas de Civismo, de 1939. No interior do Paraná inúmeras escolas, especialmente as organizadas pela colonização polonesa, foram fechadas. Bethlem dá conta do processo:
“Com a decretação das novas leis, a Campanha de Nacionalização enveredou pelas escolas e pelas associações, lutou energicamente (…) e fecharam-se muitas escolas. Fecharam-se e não se abriram outras, porque o Estado não tinha ou não podia dar os professores. Mas embora constitua um erro, embora constitua um grave incoveniente, fechar uma escola e não abrir outra, foi preferível que assim se fizesse, como brilhantemente sintetizou o General em seu pensar candente: ‘Antes criarmos ignorantes que criarmos traidores’…”



Alice
Que ignorância essa frase do General! Estupidez total.:mad:
Paulo Meira
Discordo da Alice.
A frase do General foi um desabafo de lamentação de um verdadeiro patriota! Vê-se que fala com pesar, e que refere-se à adoção de um amargo remédio, para cuja doença não visualizou outra saída.