Li ontem, no romance Boy In The Water, sobre um homem que pendurou no seu quartinho um calendário de 13 anos antes apenas porque gostava da fotografia. Lembrei na hora que minha mãe coleciona calendários, ou colecionou por um longo tempo. Ela os guardava ciumentamente numa espécie de gaveta que ficava na parte debaixo do pesado sofá-cama de molas da nossa sala, o mesmo sobre o qual eu pulava quando garoto e sobre o qual minha sobrinha pula hoje em dia.
A lembrança foi inevitável porque minha mãe dizia que guardava os seus calendários também por causa das fotografias – belas paisagens brasileiras e lugares bucólicos e distantes ao redor do mundo, – que oficialmente a deslumbravam.
Hoje penso que havia naquilo tudo um motivo secreto. Colecionar calendários é, de certa forma, contar os dias e armazenar anos. Minha mãe é que foi previdente e está certa: guardando todos aqueles anos debaixo do sofá para quando precisar deles.





