Creio que foi sábado retrasado que meu pai me passou uma ligação e era, para minha surpresa, meu amigo de infância Paulo Henrique.
Embora tenhamos trocado recentemente algumas mensagens de e-mail, ainda não cumpri minha promessa de visitar o Paulo em Bauru, então foi através desse telefonema que pela primeira vez ouvi a voz do meu amigo desde o começo da década de 1980.
Conversamos longamente, e o Paulo se mostrou o mesmo sujeito generoso e tranqüilo que lembro que era. No princípio foi difícil conversar com uma voz de homem adulto quando a imagem que tenho do Paulo ainda é a do menino de pouco mais de dez anos, mas logo me conformei. O Paulo queria saber porque eu “andava sumido”, eu que tinha dito que queria vê-lo ainda em agosto passado. Ele exige saber quando vou passar uma semana com ele, para conhecer a esposa, as crianças, a escola e rever a velha Bauru.
O Paulo perguntou muito sobre mim, preocupado com meu bem-estar. Não pude deixar de pensar que, mesmo diante da distância e dos anos, meu amigo ainda se preocupa em cuidar de mim como sempre fez.
Velho amigo, reconheço sim a sua voz.
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