Manuscritos estocados em Setembro do Anno 2004 de Nosso Senhor
25 de Setembro de 2004

20.000

Família

Hoje meu tio Carlos, o Bondoso, completa exatos 20.000 dias de vida.

Ensina-nos a contar os nossos dias
de tal maneira que alcancemos corações sábios.
Volta-te para nós, Senhor!
Até quando?
Tem compaixão dos teus servos.
Sacia-nos de manhã com a tua benignidade,
para que nos regozijemos e nos alegremos
todos os nossos dias.
Alegra-nos pelos dias em que nos afligiste,
e pelos anos em que vimos o mal.
Apareça a tua obra aos teus servos,
e a tua glória sobre seus filhos.
Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus;
e confirma sobre nós a obra das nossas mãos;
sim, confirma a obra das nossas mãos.

24 de Setembro de 2004

Véspera

Fé e Crença, Goiabas Roubadas

Nosso último dia é nosso primeiro dia; nosso sábado é nosso domingo; nossa véspera é nosso dia santo; nosso pôr-do-sol é nossa manhã; o dia de nossa morte é o primeiro dia de nossa vida eterna. O dia seguinte a esse (…) é aquele em que me mostrarei a mim mesmo. Aqui sempre me vejo envolto em disfarces; lá, então, verei a mim mesmo, mas também verei a Deus (…)
Aqui tenho algumas faculdades aguçadas e outra deixadas nas trevas; minha compreensão às vezes é clareada, ao mesmo tempo em que minha vontade é pervertida. Ali serei apenas luz, sem sombras sobre mim; minha alma envolta na luz da alegria e meu corpo na luz da glória.

John Donne

23 de Setembro de 2004

Falcon olhos de águia

Nostalgia

E outros brinquedos que nunca tive você pode encontrar no link que meu cunhado Marcelão lembrou de me enviar:

Brinquedos antigos da Estrela!

Meus favoritos, o Genius e todos os possíveis Aquaplay, conheci e curti na casa do Donald e da Leni, com a Ale e a Lu.

Trinta anos depois, meu voto ponderado para melhor brinquedo do mundo vai mesmo para o Aquaplay – que não encontrei no site e talvez não fosse nem mesmo da Estrela.

22 de Setembro de 2004

A grande família grande

Família, Nostalgia, Sociedade

Ontem estava pensando na família do tio Alberto e da tia Vilma, que me deram cinco primos, e fiquei com muita saudade deles – e da casa de família grande, espécie em extinção, que eles representaram para mim.

Sim, porque hoje a norma é ter-se, quando muito, um filho só – uma paternidade por assim dizer cirúrgica, planejada e exercida em ambiente com todas as variáveis controladas. Monitoração pela internet.

Família grande hoje em dia é a do Carlos e a Sheylla, que perderam todo o senso do economicamente correto e tiveram três.

Longe vão os dias de casa cheia, de gente repartindo o mesmo espaço vital – o mesmo quarto, o mesmo guarda-roupa, a mesma televisão. Levantou-se uma geração que não sabe o que é fila para usar o banheiro, esperar todo mundo para sentar-se à mesa, exigir a divisão milimétrica do último pedaço do bolo. Não conhece a experiência de conviver com alguém de idade na mesma casa.

Na casa repleta do tio Alberto, eu sei, havia tudo isso – e como eu os invejava. Eu, que tinha duas míseras irmãs mais velhas, quando meus quatro primos (e uma prima) eram obrigados a empilhar-se em beliches em quartos abarrotados. Havia naturalmente um charme adicional no fato de que eles moravam em casa de madeira numa propriedade semi-rural – com direito a pasto, vacas, porcos, milharais, coelhos e galinhas. Para mim eles eram os Waltons. Minha própria versão dos Waltons.

Pensando em retrospecto, ter vários filhos implicava em muitos riscos – muitas variáveis para controlar e muitas provisões para acumular para o futuro. Era economicamente arriscado em muitos sentidos. Mas a vitalidade daquela casa e de outras casa repletas que conheci (a da Dona Carmelita em Urubici, da Dona Hulda em Campinas, só para citar duas) me leva a lamentar de coração a extinção do gênero.

Quem não esteve numa casa repleta não tem como saber o que é sentir-se acolhido. Quem tem todo o espaço para si acaba privado de descobrir que o mais precioso é o espaço preenchido ao seu redor.

21 de Setembro de 2004

Sansão e Dalila

Jurássicas

Uma ilustração para o número 3 do falecido Correntinho, o “Informativo informal do pessoal jovem batista do Paraná”. Fiz três ou quatro números do Correntinho (primo pobre do Corrente da Alice, falecido ainda antes) em parceria com a Kátia, que era redatora numa agência de propaganda muito antes de eu trabalhar em uma. Não diz o ano.

O texto da Kátia esclarece que o casamento de Sansão e Dalila não deu certo porque naquela época não havia encontro de casais. E assina: I Encontro de Casais: uma boa oportunidade de deixar o seu marido careca ou fazer cafuné nele.