Manuscritos estocados em Julho do Anno 2004 de Nosso Senhor
18 de Julho de 2004

Antônio Silvino e o crente

Fé e Crença, História

por Salomão L. Ginsburg

Depois de uma discussão que havia se alongado por três anos, através da imprensa diária, com as forças organizadas do sacerdócio católico em Pernambuco; depois que todos os esforços haviam sido feitos para expulsar-me do Brasil, especialmente do campo de Pernambuco, onde o Senhor nos abençoava, um monge reacionário italiano, chamado Celestino, resolveu eliminar-me por assassinato.

No norte do estado de Pernambuco havia um bando de cangaceiros à solta, cometendo todo tipo de atrocidades. Seu chefe era um dos homens mais destemidos que já apareceu no Brasil: seu nome, Antônio Silvino. Um grande número de crimes era atribuído a esse bando, e o governo havia oferecido a soma de US$10.000 – 40.000 mil réis – pela sua captura, vivo ou morto. Era muito difícil, no entanto, capturar esse homem. Ele tinha o desconcertante dom de atirar e acertar em cheio, normalmente matando aquele que havia ousado atacá-lo. Ele era também generoso com os pobres e dividia com eles grande parte do espólio que tirava dos ricos ou até mesmo do governo.

A primeira coisa que me passou pela cabeça é que ele devia estar caçando.

Foi a esse homem que o monge italiano recorreu. Ele apelou para a sua credulidade e superstição, e obteve de Silvino o consentimento de me matar pela soma de 250 mil réis (cerca de duzentos e cinqüenta dólares). Eles descobriram o dia exato em que eu deveria chegar ao vilarejo de Moganga e deixaram o homem preparado para me atacar de surpresa. continue lendo >

17 de Julho de 2004

Do tempo do Zuiani

Família, Nostalgia

Meu amigo Paulo Henrique, sem eu pedir, fotografou dois lugares de Bauru que aparecem em Redimido pela amizade.

A Escola Estadual Dr. Luiz Zuiani não mudou muito desde aquele tempo, mas na foto parece consideravelmente menor do que na minha lembrança. A árvore fica no centro de um jardim interno do qual não me lembro muita coisa, mas que sei era perto da sala da direção e do dentista que nos torturava(m) periodicamente. continue lendo >

16 de Julho de 2004

Mesmo mesmo

Gírias e Falares

Mesmo é uma palavra engraçada mesmo.

Estou supondo que a pronúncia correta seja mezmo, mas em São Paulo, capital, diz-se mêismo, com i: “É mêismo, né?”

No Rio existem dois jeitos de se falar mesmo: o casual mêrrmo e o ênfático mêijmo.

“É mêrrmo, é?” (dito casualmente, quase com leviandade)

“É mêijmo!(dito com toda a ênfase e certeza)

Já ouvi quem diga messmo, mas em alguns lugares mais preguiçosos do Brasil diz-se mez, sem o “mo”. Assim mez.

13 de Julho de 2004

Do Conde

Fotografia, História

Mais uma casa antiga de Antonina, cheia de um charme que não existe mais. O que antes era um animado Centro de Puericultura (isto é, um lugar de cultivo adequado de crianças) é agora um prédio velho em que mora uma velhinha que não enxerga bem.

O Centro fica pertinho do Porto Matarazzo, o primeiro porto privado do país, fundado em 1910 pelo legendário magnata Conde Francisco Matarazzo.

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12 de Julho de 2004

Beleza interior

Grandes Navegações, História

Anatomia dos sonhos: quando as pessoas são um livro aberto – ou estão abertas dentro de um livro. Não fiz Medicina, mas uma aula de Administração na Federal era mais assim do que assim.

Para o texto completo e fascinante da exposição (em inglês), clique aqui.