Antônio Silvino e o crente
Fé e Crença, História
por Salomão L. Ginsburg
Depois de uma discussão que havia se alongado por três anos, através da imprensa diária, com as forças organizadas do sacerdócio católico em Pernambuco; depois que todos os esforços haviam sido feitos para expulsar-me do Brasil, especialmente do campo de Pernambuco, onde o Senhor nos abençoava, um monge reacionário italiano, chamado Celestino, resolveu eliminar-me por assassinato.
No norte do estado de Pernambuco havia um bando de cangaceiros à solta, cometendo todo tipo de atrocidades. Seu chefe era um dos homens mais destemidos que já apareceu no Brasil: seu nome, Antônio Silvino. Um grande número de crimes era atribuído a esse bando, e o governo havia oferecido a soma de US$10.000 – 40.000 mil réis – pela sua captura, vivo ou morto. Era muito difícil, no entanto, capturar esse homem. Ele tinha o desconcertante dom de atirar e acertar em cheio, normalmente matando aquele que havia ousado atacá-lo. Ele era também generoso com os pobres e dividia com eles grande parte do espólio que tirava dos ricos ou até mesmo do governo.
A primeira coisa que me passou pela cabeça é que ele devia estar caçando.
Foi a esse homem que o monge italiano recorreu. Ele apelou para a sua credulidade e superstição, e obteve de Silvino o consentimento de me matar pela soma de 250 mil réis (cerca de duzentos e cinqüenta dólares). Eles descobriram o dia exato em que eu deveria chegar ao vilarejo de Moganga e deixaram o homem preparado para me atacar de surpresa. continue lendo >

