Graciliano Ramos e o crente
Fé e Crença, História
O mais impressionante sobre o encontro de Antônio Silvino com o evangelho como pregado por Salomão Ginsburg (judeu polônes nascido em 1867, filho de rabino, convertido ao cristianismo aos quinze anos depois de fugir de casa, missionário no Brasil a partir de 1890) foi o efeito duradouro que este produziu naquele.
“É quase certo irmos encontrar um indivíduo sombrio e cabisbaixo, embrutecido pela desgraça.”
O pernambucano Antônio Silvino (nascido Manuel Batista de Morais), o Rifle de Ouro, o Governador do Sertão, foi o primeiro a receber o título de Rei do Cangaço, e o cangaceiro mais famoso antes da aurora de Lampião. Depois de 16 anos durante os quais “organizou saques, assassinou políticos, ignorou a polícia e só respeitava as mulheres”, o cabra foi ferido e preso em novembro de 1914.
O escritor e jornalista Graciliano Ramos foi visitá-lo na prisão em 1938. Ele descreve o homem que esperava encontrar:
Depois uma emboscada e o cárcere provavelmente o desmantelaram. Talvez as marchas, as lutas, a fome, a sede, a fuga constante e as fadigas das travessias não o tenham abalado: mas a bóia da cadeia, as grades, a esteira suja na pedra, os mesmos gestos repetidos, as mesmas palavras largadas em horas certas, infinitas misérias e porcarias, inutilizaram o velho herói de encruzilhadas. É quase certo irmos encontrar um indivíduo sombrio e cabisbaixo, embrutecido pela desgraça, indiferente às façanhas antigas, hoje atenuadas, esparsas. Está ali perto um fantasma triste e desmemoriado, mostrando vagos sinais de vida em movimentos de autômato.
Graciliano esperava, na verdade, encontrar alguém que pudesse olhar de cima, alguém de quem pudesse falar mal. O que o aguardava era uma surpresa: continue lendo >


