Manuscritos estocados em Julho do Anno 2004 de Nosso Senhor
27 de Julho de 2004

Pôr

Fotografia

Nuvens do entardecer de domingo passado, na estrada de terra que dá acesso ao Monastério.

Nuvens da tarde

26 de Julho de 2004

Emocional

Manuscritos

- Eu, te chantageando? Diz isso de novo que eu não falo mais com você!

25 de Julho de 2004

Cidinha e Juvenal

Homens e Mulheres, Manuscritos

Fui sozinho ao cinema e estava lendo enquanto esperava as luzes diminuírem e o filme começar.

Meu filtro auditivo defletor, colocado automaticamente no nível de leitura, deixava penetrar laivos ocasionais da não muito animada conversa que corria entre um jovem casal sentado duas poltronas à minha esquerda. A voz grave e austera do cara fazia comentários incisivos, diretos, quase complacentes na sua clareza. A voz esganiçada e nasal da moça era muito mais impaciente, prolixa e de descontrolada oratória.

Não cheguei a descobrir sobre o que conversavam (o livro era certamente mais interessante), mas vez por outra chegava até mim uma frase, uma palavra, mais comumente uma entonação: a rude e máscula dele, a inquieta e quase neurótica dela. Um longo intervalo parecia se estender antes que o outro se dignasse a responder.

O filme também demorava a começar e ajeitei-me na cadeira, e foi só quando meus ouvidos mudaram de posição que fui capaz de, como dizem fazer as corujas, triangular a origem do som e diagnosticar que havia alguma coisa errada. Olhei disfarçadamente para a esquerda e vi que era ela que falava com a voz grossa e complacente, e ele com a voz inquieta e esganiçada.

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24 de Julho de 2004

Margem de caderno: Dura de matar

Jurássicas

É.

As margens do meu caderno eram freqüentadas por gatos e até por coisa pior, como prova essa jurássica ilustração.

Dura de matar

23 de Julho de 2004

O tempo não apaga

Família

A frente (que na verdade era os fundos) do sobrado em que morávamos em Bauru.

A foto foi tirada recentemente pelo Paulo Henrique.

Ver de novo uma imagem do velho sobrado despertou em mim uma multidão de memórias (minha irmã dormindo naquele quarto de janela aberta depois de chegar do Objetivo, ouvir Crying e Superfantástico e We Are The World na única rádio FM da cidade, rascunhar histórias de ficção científica na máquina de escrever do pae, meus amigos de rua, os gêmeos Sérgio e Sílvio, que moravam na transversal), mas pode ser mais interessante ouvir as lembranças despertadas no próprio Paulo quando visitou o lugar esses dias para tirar a foto.

Indo até o sobrado me lembrei de ter entrado uma vez em sua casa, talvez para estudarmos juntos, e ter visto algo conectado em seu telefone e, então perguntei o que era, e você me respondeu que era para gravar a voz de sua irmã que estava, creio eu, em Curitiba, achei o máximo aquilo. Interessante também é o fato, de eu não ter muito talento para desenhos e, quando tenho que desenhar alguma coisa, por algum motivo, sempre desenho o BIDU – um cachorrinho que aprendi (copiei) com (de) você.

Lembrança, meu amigo, que o tempo não apaga.