Para Marcos
Na véspera de uma batalha de campo contra um exército inimigo, o rei decidiu sondar por si mesmo como andava o moral de suas tropas. Oculto debaixo de uma capa comum de sentinela e sob o manto da noite ele começou a percorrer uma a uma as rodas de combatentes que orlavam as fogueiras.
As conversas que ouviu deixaram-no extremamente encorajado. Todos os seus soldados estavam relaxados e confiantes quanto ao resultado da batalha do dia seguinte, e só faziam exaltar as virtudes do rei.
– O rei está descansando com justiça agora em sua tenda – disse um experiente soldado, – mas amanhã vai estar tinindo como uma espada sarracena contra o inimigo.
Todos concordaram.
– Dizem que o rei inimigo é implacável – arriscou o rei, disfarçando a voz e ocultando-se sob as dobras do manto.
– Pois o nosso é mais – respondeu imediatamente e com convicção o mesmo soldado, sem saber com quem estava falando. Seus companheiros dirigiam a conversa na mesma direção enquanto o rei se afastava, congratulando-se com a sagacidade do seu disfarce e por ter sido capaz de gerar tamanha confiança e garra nos que dependiam dele.
Ele descobriu-se então na orla do acampamento, e pôde divisar ao longe o que parecia ser uma fogueira do acampamento inimigo. Ele resolveu arriscar o seu disfarce, que havia até ali se mostrado tão eficaz, e sondar ele mesmo o moral dos seus antagonistas, como havia feito com seu próprio exército. continue lendo >