Manuscritos estocados em Julho do Anno 2004 de Nosso Senhor
01 de Julho de 2004

Bicicleta

Fotografia

Uma bicicleta encostada em Antonina, onde ninguém vai alguém ainda pode pensar em roubar.

30 de Junho de 2004

Os dois pioneiros

Goiabas Roubadas, Pense comigo

Dois tipos de pioneiro apontam o caminho: o primeiro declara que é certo algo que previamente havia sido considerado errado – e é publicamente execrado e secretamente adorado; o segundo declara que é errado algo que havia previamente sido considerado certo – e é publicamente adorado e secretamente execrado.

William Irvine, condensando uma idéia de George Bernard Shaw

29 de Junho de 2004

Margem de caderno: Tinha?

Jurássicas

Mais um rabisco do proverbial caderno do primeiro ano da Federal.

Tinha pra homem?

28 de Junho de 2004

Copyright e Criatividade

1984, Goiabas Roubadas

Lawrence Lessig

Davis Guggenheim é diretor de cinema. Ele já produziu uma série de filmes, alguns comerciais, outros não. Sua paixão, como a de seu pai antes dele, são os documentários, e seu filme mais recente e talvez seu melhor, The First Year, é sobre professores de escolas públicas em seu primeiro ano letivo.

No processo da produção de um filme um diretor é obrigado a “liberar os direitos”. Um filme baseado num romance protegido por direitos autorais precisa obter a permissão do proprietário dos direitos. Se uma canção toca nos créditos iniciais do filme, é necessária a liberação dos direitos por parte do intérprete da canção. Esses são limites comuns e aceitáveis sobre o processo criativo, tornados necessários por um sistema de lei de copyright.

A lei do copyright, escreveu a professora Jessica Litman, está cheia de regras às quais as pessoas comuns reagiriam dizendo: “Não pode haver uma lei que diz isso. Seria uma estupidez”.

Mas e as coisas que aparecem no filme de forma incidental? Posters na parede de um dormitório, uma garrafa de Coca-Cola nas mãos de um figurante, um anúncio num caminhão que passa no fundo da cena? Esses elementos também são obras artísticas criativas. Um diretor precisa de permissão para tê-los no seu filme?

“Há dez anos atrás”, explica Guggenheim, “se um trabalho artístico fosse reconhecível por uma pessoa comum”, teria que ter seu copyright liberado. Hoje em dia a coisa é diferente. Agora “se qualquer peça artística é reconhecível por quem quer que seja, você é obrigado a liberar os direitos e pagar. Praticamente toda peça de arte, toda peça de mobília ou escultura tem de ser liberada antes que você possa usá-la”. continue lendo >

27 de Junho de 2004

Não pergunte

Goiabas Roubadas

Li recentemente este trecho de John Donne e lembrei-me de Um a menos:

Toda a humanidade é de um único autor, e é um único volume; quando um homem morre, um capítulo não é arrancado do livro, mas traduzido para uma linguagem superior. Cada capítulo deve necessariamente ser traduzido dessa forma. Como portanto o sino que anuncia o sermão convoca não apenas o pregador, mas a congregação a comparecer, da mesma forma esse sino nos chama a todos – mas muito mais a mim, trazido para tão perto das suas portas por essa enfermidade. Nenhum homem é uma ilha, suficiente em si mesmo; a morte de cada homem me diminui, porque estou envolvido na humanidade. Portanto nunca mande alguém ver por quem o sino [fúnebre] está tocando: ele está tocando por você.