Quando eu era criança (bom, quem sabe ainda hoje) minha mãe insistia que eu andasse bem arrumado, cabelo penteado, devidamente calçado e — isso parecia especialmente importante – camisa dentro da calça. Havia aparentemente um propósito pedagógico nessa neura: minha mãe deixava isso claro cada uma das vezes. Ela não queria que eu andasse como um maloqueiro.
Nasci no timing errado para conviver com os eles, muito menos para ser um, mas em retrospecto preciso admitir que aprendi lições valiosas com os hippies (quase tanto quanto com minha principal categoria de heróis, os combatentes da 2a Guerra).
A coisa fundamental e básica, que se não fosse o exemplo compassivo dos hippies duvido que eu tivesse chegado a aprender a tempo, é que (pasme) andar mal vestido não é uma falha moral. Trata-se do princípio mais simples, algo que eu deveria ter aprendido sozinho lendo a Bíblia, mas que não chegou até mim na interpretação sanitizada dela que me chegava dos pastos verdes dos flanelógrafos e das admoestações bem-intencionadas de pais e mães. continue lendo >