Manuscritos estocados em Maio do Anno 2004 de Nosso Senhor
31 de Maio de 2004

Antes isso

História, Politica, Sociedade

7 de Setembro de 1937, Curitiba.

O General José Meira de Vasconcellos, recém-chegado à região como comandante da 5a Região Militar e 5a Região de Infantaria, assiste às festividades locais organizadas para celebrar a data máxima da nação.

Vasconcellos está agitado na cadeira. Para começar, o desfile das tropas não é recebido com a empolgação que o General esperava de uma gente brasileira numa ocasião cívica. O povo o recebe “frio, os jornais mornamente, as sociedades e colégios tristonhamente”. Mas é o que vem a seguir que o deixa horrorizado.

“Antes criarmos ignorantes que criarmos traidores”

Vasconcellos descobre que na capital do Paraná quem resta para celebrar a data da independência é a juventude das sociedades estrangeiras: em particular, a então popular Juventude Hitlerista do Parana. continue lendo >

30 de Maio de 2004

Vale feliz

Ilustração

Mais uma pintura digital que achei nos meus arquivos, feita com o bom e velho Painter.

Baseada em lembranças reais de bons tempos passados em Urubici, na Santa e Bela Catarina.

Vale do Canoas

29 de Maio de 2004

O enigma de Páris, parte 2

Homens e Mulheres

(continuação da parte 1)

O problema está, evidentemente, na diferença aparentemente irreconciliável de visão de mundo, de mindset, entre homens e mulheres (na nossa discussão, entenda por favor “homem” e “mulher”, como arquétipos universais, símbolos, não necessariamente entidades reais. Antes que alguém me acuse de generalização – bem, tarde demais pra isso – quero lembrar que o poder do mito, e de toda boa ficção, está nisso mesmo: tocar cordas específicas da experiência real através de personagens e situações simbólicas).

Para tentar deslindar o enigma de Páris, deixe-me introduzir na discussão dois termos para definir os “modos” mentais que diferenciam homens de mulheres, respectivamente. Vou chamá-las de o jogo© e a partilha©.

Agora sim, vamos às generalizações.

Primeira generalização:
Os homens só tem tempo para o jogo©.

O jogo© pode ser uma atividade mental, física ou moral. Não interessa: o que define o jogo© é que ele é aquilo que ocupa a mente de um homem. Para homens que viviam numa época menos hipócrita que a nossa, como Aquiles e Menelau, o jogo© era a guerra nua e crua. Para muitos homens contemporâneos, o jogo© é mesmo um esporte; digamos, o futebol – mas pode ser também uma causa, um projeto, uma pesquisa, um sonho, um ideal ou, com impressionante freqüência, a guerra nua e crua.

Os componentes básicos de um jogo© são (1) o desafio, (2) o código e (3) o prêmio. Esses componentes estão presentes em todas as atividades tipicamente “masculinas”, como a guerra, o esporte e a caça, mas também em outras mais improváveis, como a evangelização, a filosofia, a política e a arte. Um soldado, um evangelista, um senador e um filósofo são todos movidos pelo seu compromisso com o seu próprio jogo©. Com freqüência o prêmio final é inatingível, mas para o homem isso não interessa. O objetivo do jogo© é jogar.

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28 de Maio de 2004

Margem de caderno: Flash!

Jurássicas

Quando comecei a estudar Administração na Federal (do Paraná) em 1987, correu a lenda que eu não prestava atenção nas aulas e ficava desenhando o tempo todo. Nada mais longe da verdade: eu prestava atenção nas aulas e ficava desenhando o tempo todo.

Margem de caderno, como se não fosse evidente, foi feita pra desenhar.

Olha o pasarinho!

27 de Maio de 2004

Máximas

Manuscritos

A arte é o princípio da beleza do que é a princípio inteiramente casual e inútil.

Como recurso didático direto, o ato de fazer perguntas orais pode bloquear o exato raciocínio que procura despertar.

A imaginação e o sofrimento são as únicas formas de deter o condicionamento – mais o segundo que o primeiro.

Não deixe de fazer hoje o que você pode deixar de fazer amanhã.

[da contracapa de um caderno de quando eu cursava Administração na UFPR, em 1989. Já um pensador]