A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

Goiabas Roubadas ,,,

Bem conheço a fonte que mana e corre
Embora seja noite.

Aquela eterna fonte está escondida
mas sei bem d’onde é suprida
embora seja noite.

Sua origem des­co­nheço, pois não a tem
mas sei que toda origem dela vem,
embora seja noite.

Sei que não pode haver coisa tão bela
e que céus e terra bebem dela,
embora seja noite.

Sei bem que fundo nela não se acha,
e que ninguém pode atravessá-la,
embora seja noite.

Sua claridade não é nunca escu­re­cida
e sei que sua luz toda já é vinda,
embora seja noite.

Sei serem tão cau­da­lo­sas suas correntes
que regam céus, infernos e as gentes,
embora seja noite.

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Pormenor ,,

Naqueles dias, como ninguém ignora, havia duas academias de filosofia em Grunhos: seus fun­da­do­res, Címbrio e Calâmbrio, àquela altura criavam há décadas barba de raiz, mas haviam deixado dis­cí­pu­los que lhes per­pe­tu­as­sem as disputas. Mal se afastara Mucuruá, deixando Liça Cascaes acocorada sobre o pote com as agonias de Car­ni­valdo, chegaram da cidadinha as duas bogadas de filósofos, de um lado cim­bri­a­nos, do outro calam­bre­ses. Na praça tinha corrido que dentre os convivas da comança havia uma prenha, e para os cim­bri­a­nos não há criação mais bela e admirável do que uma mulher grávida, porque traz ao mundo novos seres humanos; para os calam­bre­ses não há espe­tá­culo mais bruto e repro­vá­vel do que uma mulher grávida, pela mesma razão. No que fica demons­trado que eram homens, porque afluíam para a mesma visão em busca da beleza e da tragédia.

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Gírias e FalaresHistória ,,,,,,,,,,,

Nas igrejas francesas do período medieval as bacias das almas/bassins des âmes eram irman­da­des cujo fundo coletivo finan­ci­ava missas pelas almas do purgatório

A beleza das expres­sões populares está em que para usá-las ninguém precisa saber a sua origem – muito menos saber ao certo o que sig­ni­fi­cam. O que quer dizer exa­ta­mente vender alguma coisa “na bacia das almas?” O que o noti­ciá­rio quer dizer com “a seleção se clas­si­fi­cou na bacia das almas?”

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PINÇADA DOS ARQUIVOS:
O direito de per­ma­ne­cer calado

Há dez anos o que você dizia podia não importar muito, mas o curioso da era da internet é que muito mais coisa está sendo colocada e deixada por escrito, na forma de mensagens de e-mail, con­ver­sa­ções de chat (algumas delas gravadas auto­ma­ti­ca­mente), comen­tá­rios e blogs.

Tudo que você disser poderá ser usado contra você. E even­tu­al­mente será.

Em abril passado a jor­na­lista Rachel Mosteller escreveu, sob um pseudô­nimo, a seguinte entrada no seu blog pessoal:

 

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1984 ,

Há dez anos o que você dizia podia não importar muito, mas o curioso da era da internet é que muito mais coisa está sendo colocada e deixada por escrito, na forma de mensagens de e-mail, con­ver­sa­ções de chat (algumas delas gravadas auto­ma­ti­ca­mente), comen­tá­rios e blogs.

Tudo que você disser poderá ser usado contra você. E even­tu­al­mente será.

Em abril passado a jor­na­lista Rachel Mosteller escreveu, sob um pseudô­nimo, a seguinte entrada no seu blog pessoal:

 

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Manuscritos ,,,,,,

Encerrei aquela nota sobre colapso da civi­li­za­ção com a sentença Nada pode ser feito porque, obvi­a­mente, é só em parte verdade. Há um crescente número de cli­ma­to­lo­gis­tas, ambi­en­ta­lis­tas, políticos e gente comum que insiste que é tarde demais para ser pes­si­mista. Se a menor parcela do sofri­mento futuro pode ser evitada, repetem esses caras, ação imediata e radical é impe­ra­tiva em todos os níveis: pessoais, comu­ni­tá­rios e gover­na­men­tais (ouça por exemplo o Alexandre Costa em sua coluna “O que você faria se soubesse o que eu sei?”1).

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O geren­ci­a­mento da esperança [3]

Em sua carta o Oliver esboça duas heranças ide­o­ló­gi­cas: de um lado a linhagem de Caim, ganan­ci­osa e otimista, que ignora a fra­gi­li­dade e as con­tra­di­ções da condição humana e insiste em construir, cercar, organizar, produzir, con­quis­tar, ampliar, ordenar e progredir (Ordem e Progresso!); do outro, a linhagem de Sete, lúcida e desi­lu­dida, que reconhece tanto a sua insu­fi­ci­ên­cia quanto o potencial des­tru­tivo da sua condição, pelo que avança um dia após o outro com toda a cautela, esperando mise­ri­cór­dia de Deus ou do universo. Caim é pro­du­ti­vi­dade, Sete é res­pon­sa­bi­li­dade.

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PolíticaQuase Ciência ,,,,,,,

Em sua carta o Oliver esboça duas heranças ide­o­ló­gi­cas: de um lado a linhagem de Caim, ganan­ci­osa e otimista, que ignora a fra­gi­li­dade e as con­tra­di­ções da condição humana e insiste em construir, cercar, organizar, produzir, con­quis­tar, ampliar, ordenar e progredir (Ordem e Progresso!); do outro, a linhagem de Sete, lúcida e desi­lu­dida, que reconhece tanto a sua insu­fi­ci­ên­cia quanto o potencial des­tru­tivo da sua condição, pelo que avança um dia após o outro com toda a cautela, esperando mise­ri­cór­dia de Deus ou do universo. Caim é pro­du­ti­vi­dade, Sete é res­pon­sa­bi­li­dade.

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O geren­ci­a­mento da esperança [2]

A carta do Claudio Oliver me trouxe à lembrança o que está escrito na seção A luta por uma eter­ni­dade mais justa de As divinas gerações: a noção, soprada para mim por Alan F. Segal, de que a Bíblia é de uma ponta à outra, do Gênesis ao Apo­ca­lipse, uma polêmica contra a civilização.

Ao contrário dos livros sagrados e épicos de outras tradições, a Bíblia não reserva uma palavra para louvar a orga­ni­za­ção soci­o­po­lí­tica, as con­quis­tas militares, os avanços tec­no­ló­gi­cos e culturais e a vida urbana.

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Manuscritos ,,,,,,,,,

A carta do Claudio Oliver me trouxe à lembrança o que está escrito na seção A luta por uma eter­ni­dade mais justa de As divinas gerações: a noção, soprada para mim por Alan F. Segal, de que a Bíblia é de uma ponta à outra, do Gênesis ao Apo­ca­lipse, uma polêmica contra a civilização.

Ao contrário dos livros sagrados e épicos de outras tradições, a Bíblia não reserva uma palavra para louvar a orga­ni­za­ção soci­o­po­lí­tica, as con­quis­tas militares, os avanços tec­no­ló­gi­cos e culturais e a vida urbana.

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Manuscritos ,,,,,,,,,,

Quando descrevo meu amigo Claudio Oliver como pes­si­mista e desi­lu­dido posso ter desenhado a imagem de um cara amargo e sem esperança, o que não poderia estar mais longe da verdade. O Oliver não deixa que a dureza das suas ideias se cris­ta­lize em cinismo, como eu faço, mas transmuta o que poderia gerar cólera e rancor em coragem e gentileza, em dis­po­ni­bi­li­dade e abundância.

Porém, dentro todos, o Oliver terá entendido que não pode haver elogio maior do que “desi­lu­dido”. Para se ter esperança é preciso não se ter ilusões: do contrário o que você tem não é esperança, é ilusão.

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A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.


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