A Bacia das Almas é abrigo de argumentos que se repetem.

Pense comigo ,,,,,,,,,,,,,,

Coisas como eleições pre­si­den­ci­ais con­tri­buem, pela distração do naci­o­na­lismo, para que ignoremos o fato de que as ver­da­dei­ras questões são humanas, ao mesmo tempo maiores e menores do que a fantasia da nação. O âmbito nacional é uma ficção e requer fé, os âmbitos globais e locais são muito reais e requerem obras.

Não há maior emblema dessas con­tra­di­ções do que a presente ameaça do vírus ebola. Ao contrário de nós, o ebola sim­ples­mente não enxerga fron­tei­ras nacionais: tudo que ele vê são seres humanos. Tudo que ele vê, e portanto denuncia, é a realidade.

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Manuscritos ,,,,,,,,,,,,

O rabinismo babilô­nico derrotou a dialética, pro­mo­vendo a noção de que todas as arti­cu­la­ções da verdade são fun­da­men­tal­mente contingentes.

Daniel Boyarin

 

Não há no Novo Tes­ta­mento qualquer indício de que seus autores esperavam para o seu movimento um futuro que fosse de algum modo separado da história e da vocação do judaísmo de que faziam parte. Jesus era judeu, seus dis­cí­pu­los eram judeus; o apóstolo Paulo – muitas vezes acusado de inventar o cris­ti­a­nismo como coisa à parte do judaísmo – era for­mi­da­vel­mente judeu, e em suas exal­ta­ções descrevia no movimento de Jesus a vitória universal do judaísmo em vez da sua supressão1.

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Goiabas Roubadas ,,,,,,,,

Nasrudin estava andando pelo bazar com um grupo de segui­do­res. Tudo que Nasrudin fazia seus segui­do­res copiavam ime­di­a­ta­mente. A cada poucos passos Nasrudin parava, sacudia as mãos, tocava os pés e pulava gritando “Hu! Hu! Hu!”. Seus segui­do­res paravam e faziam a mesma coisa.

Um dos mer­ca­do­res, que conhecia Nasrudin, perguntou-lhe à parte:

– O que você está fazendo, amigo velho? Quem é essa gente imitando você?

– Virei um sábio sufi – disse Nasrudin. – Esses são meus dis­cí­pu­los: estou ajudando-os a encontrar a luz.

– E como você sabe dizer quando eles já encon­tra­ram a luz?

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Manuscritos ,,,,,,,,,,,,,,,,,,

A era da glo­ba­li­za­ção começou nomi­nal­mente com a queda do muro de Berlim. 25 anos depois, o mundo nunca esteve mais sectário e dividido

“Numa das longas férias de verão que passamos em Mon­te­vi­déu,” conta Jorge Luis Borges, “meu pai me disse que desse uma boa olhada em certas coisas porque estavam fadadas a desa­pa­re­cer. Ele queria que eu tivesse como contar aos meus filhos e netos que tinha visto essas coisas quando ainda existiam. Ele me disse para olhar para quartéis, bandeiras, mapas com cores dife­ren­tes repre­sen­tando dife­ren­tes países, açougues, igrejas, sacer­do­tes e alfân­de­gas – porque todas essas coisas desa­pa­re­ce­riam quando o mundo fosse um e todas as dife­ren­ças fossem esque­ci­das.”

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PINÇADA DOS ARQUIVOS:
O último suspiro

Numa mensagem de fim de ano trans­mi­tida ao Brasil no fim de 1944 e falando em nome do 1o Grupo de Caça da FAB, meu querido tenente Rui Moreira Lima falou de sua fé num futuro feliz. Os aliados, cria Rui, não estavam lutando sem motivo, mas investiam na doce e esquiva pos­si­bi­li­dade de “um mundo melhor”.

A geração do Rui foi a última que pôde falar assim. No desi­lu­dido mundo con­tem­po­râ­neo, que perdeu ofi­ci­al­mente toda a fé nas ide­o­lo­gias, ninguém ousaria ou deveria ousar falar da mesma forma. A esperança é a última que morre, mas morre.

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HistóriaSociedade ,,

Numa mensagem de fim de ano trans­mi­tida ao Brasil no fim de 1944 e falando em nome do 1o Grupo de Caça da FAB, meu querido tenente Rui Moreira Lima falou de sua fé num futuro feliz. Os aliados, cria Rui, não estavam lutando sem motivo, mas investiam na doce e esquiva pos­si­bi­li­dade de “um mundo melhor”.

A geração do Rui foi a última que pôde falar assim. No desi­lu­dido mundo con­tem­po­râ­neo, que perdeu ofi­ci­al­mente toda a fé nas ide­o­lo­gias, ninguém ousaria ou deveria ousar falar da mesma forma. A esperança é a última que morre, mas morre.

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Goiabas Roubadas ,,,,,,,,,,,,,,,,,

Stefan Zweig

 

De fato, nada deixa mais claro o imenso retro­cesso que recaiu sobre o mundo depois da Primeira Guerra Mundial do que as res­tri­ções sobre a liberdade de des­lo­ca­mento do homem e a dimi­nui­ção dos seus direitos civis. Antes de 1914 a Terra pertencia a todos. As pessoas iam para onde dese­jas­sem e ficavam o quanto quisessem.

Não havia vistos nem auto­ri­za­ções de per­ma­nên­cia, e sempre me dá prazer des­lum­brar os mais jovens contando que antes de 1914 viajei da Europa para a Índia e para a América sem ter um pas­sa­porte e sem ter em qualquer momento visto um. Embarcava-se e desembarcava-se sem ques­ti­o­nar e sem ser ques­ti­o­nado: não era neces­sá­rio preencher um único dos inúmeros for­mu­lá­rios reque­ri­dos hoje em dia.

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Traduzindo Borges ,,,

Jorge Luis Borges

 

Lembro que quando comecei a escrever não se pensava no sucesso ou no fracasso de um livro. O que se chama de “sucesso” não existia naquele tempo, e o que se chama de “fracasso” era tido como certo. Um autor escrevia para si mesmo e, quem sabe (como Stevenson costumava dizer), para um pequeno grupo de amigos. Hoje, por outro lado, se pensa nas vendas. Sei que há autores que anunciam publi­ca­mente o lan­ça­mento de uma quinta, sexta ou sétima edição, e que ganharam esta ou aquela soma de dinheiro. Isso teria parecido intei­ra­mente ridículo quando eu era jovem; teria parecido incrível. As pessoas teriam pensado que o escritor que diz o quanto ganhou com seus livros está na verdade dizendo: “Sei que o que escrevo não tem qualidade, mas o faço por motivos finan­cei­ros ou porque tenho de sustentar minha família”. Vejo na atitude quase uma forma de modéstia. Ou de estupidez pura e simples.

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Três coisas que a cultura do automóvel pode ter feito você esquecer

 

Como carecemos de histórias milenares e de longas dinastias que justifiquem os nossos temperamentos, nas Américas adotamos desde cedo uma nova mitologia, uma narrativa orientadora que alongamos dos descobrimentos e das caravelas: a ideia de que ocupar espaços – em alguns casos, simplesmente transpor espaços – é uma coisa boa, suficiente e admirável.

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ManuscritosPense comigo ,,,,,,,,,,

 

Como carecemos de histórias milenares e de longas dinastias que justifiquem os nossos temperamentos, nas Américas adotamos desde cedo uma nova mitologia, uma narrativa orientadora que alongamos dos descobrimentos e das caravelas: a ideia de que ocupar espaços – em alguns casos, simplesmente transpor espaços – é uma coisa boa, suficiente e admirável.

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A Bacia das Almas não quer partir do pressuposto de que só porque discordamos um de nós está necessariamente certo.


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