A Bacia das Almas tem o direito de ficar calada.

A Inquisição dos anjos

Bem-aventurado este gato
que vive na mesma casa e não me olha
e me dá nesta era saturada o dom sagrado da indiferença

Goiabas Roubadas ,,,,,,,,,,,,,,,,,

Daniel Oudshoorn

Certa vez, quando comia com os fariseus e publi­ca­nos, um dos anciãos sentado no lugar de honra à direita do anfitrião começou a perguntar a Jesus sobre as frases atri­buí­das a ele.

– Rabi – disse o ancião, – você nos disse para amar o próximo e nos disse quem é o nosso próximo. Ouvi dizer que você também disse para amarmos os nossos inimigos e orar pelos que nos perseguem, mas você não foi tão claro a respeito de quem são os nossos inimigos. Diga-me, rabi, quem é o meu inimigo, para que eu o ame? Quem é aquele que me persegue, para que eu ore por ele?

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Brasil ,,,,,,,,,,,,,,,,

Você nunca leu tanto sobre futebol quanto esta semana, então permita-me assumir o papel do japonês e limpar esta arena das con­cep­ções equi­vo­ca­das que você leu ou defendeu sobre o assunto.

Sobre futebol? É aqui que você se engana.

► perder de 7×1 da Alemanha foi uma coisa ruim para o futebol nacional

E esta não requer pra­ti­ca­mente expli­ca­ção. A derrota espe­ta­cu­lar da seleção bra­si­leira em solo bra­si­leiro (e o fato de ter sido tão espe­ta­cu­lar) é uma coisa boa – pelo menos para quem se interessa mini­ma­mente por futebol. Nada pode fazer mais bem a uma cole­ti­vi­dade do que deixar de acreditar que é a melhor do mundo em alguma coisa, espe­ci­al­mente se quer nutrir alguma esperança de chegar a ser.

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Pormenor ,

Na Urubici do final da década de 1970, com seu regime de cadeias curtas, meus amigos conheciam uma liberdade que nos nossos dias tornou-​​se pra­ti­ca­mente impos­sí­vel de exercer.

Não arren­da­vam a sua força de trabalho para terceiros, mas empregavam-​​na para si mesmos. Não eram de modo algum soci­a­lis­tas, mas sub­sis­tiam à parte do mercado.

E, das into­le­rân­cias do fun­da­men­ta­lismo de mercado, esta é a primeira: o capi­ta­lismo não tolera que alguma coisa exista à parte do mercado. À parte do mercado ninguém deve ter permissão para sentir que existe.

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Diaz

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Este é o tema que escrevi para o pro­ta­go­nista de uma comédia musical que deixei incon­clusa em 1998, e que deveria se chamar A igreja fan­tás­tica de Jackson Diaz.

MP3 ,,,,,,,,

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Este é o tema que escrevi para o pro­ta­go­nista de uma comédia musical que deixei incon­clusa em 1998, e que deveria se chamar A igreja fan­tás­tica de Jackson Diaz.

Pormenor

Escaneio sem pausa, e sem pausa reflito qual versão sobre­vi­verá por mais tempo: o livro antigo ou o ambiente digital capaz de representá-lo.

A história

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A história somos nós, ninguém sinta-se prejudicado
Somos nós este campo de agulhas sob o céu
A história somos nós, atenção, ninguém sinta-se excluído
A história somos nós, somos nós estas ondas no mar,
Este rumor que rompe o silêncio,
Este silêncio tão difícil de relatar

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Recomendações ,,,,,

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A história somos nós, ninguém sinta-se prejudicado
Somos nós este campo de agulhas sob o céu
A história somos nós, atenção, ninguém sinta-se excluído
A história somos nós, somos nós estas ondas no mar,
Este rumor que rompe o silêncio,
Este silêncio tão difícil de relatar

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Goiabas Roubadas ,,,,,,,,

Shaj Mathew

 

[...]

Seu problema com o futebol era a cultura das torcidas, que ele associava àquela sorte de apoio popular cego que havia sus­ten­tado os líderes dos movi­men­tos políticos mais horrendos do século vinte. Ao longo da vida Borges tinha visto emergirem na esfera política argentina elementos de fascismo, de Peronismo e até de antis­se­mi­tismo, pelo que sua forte des­con­fi­ança com relação aos movi­men­tos políticos populares e à cultura de massa – o ápice da qual, na Argentina, é o futebol – é com­pre­en­sí­vel.

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A nós a liberdade

A nous la liberté/A nós a liberdade, de René Clair, é o melhor filme a que assisti neste milênio, e foi feito em 1931 (certo, Borges daria muita risada). Esta é a versão em italiano de um filme francês com pouquís­si­mos diálogos, mas render-se ao filme requer uma única linguagem, que você ou fala ou não.

Assista e depois me escreva. Se você acertar três ou mais das vezes em que o filme me fez chorar, vai ganhar minha cum­pli­ci­dade eterna – e seu sonho de liberdade de volta.

 

Recomendações ,,,,,,,,,,,,,,,,

A nous la liberté/A nós a liberdade, de René Clair, é o melhor filme a que assisti neste milênio, e foi feito em 1931 (certo, Borges daria muita risada). Esta é a versão em italiano de um filme francês com pouquís­si­mos diálogos, mas render-se ao filme requer uma única linguagem, que você ou fala ou não.

Assista e depois me escreva. Se você acertar três ou mais das vezes em que o filme me fez chorar, vai ganhar minha cum­pli­ci­dade eterna – e seu sonho de liberdade de volta.

 

Manuscritos ,,,,,,,,,,,,,,,,,,

Alienar-se de quê?

Das lembranças que trago da Era Offline esta não é pequena: a sensação de correr ativamente atrás da cultura de massa, de ansiar por ela, de jogar-me no seu caminho, de implorar que ela se despejasse sobre mim – em vez de, como hoje, viver perseguido pela produção cultural na muralha perpetuamente autorregenerada de links da internet, cada um deles redigido para ter maior sucesso em me seduzir e desencaminhar o meu clique.

Naqueles dias, jovens padawans da Era Online, a cultura era já massificada, mas a distribuição era artesanal. Você e a cultura eram amantes separados pelo destino, e cabia sempre a você cobrir a distância. Você é que ficava sentado diante do sinal de teste da televisão, aguardando que a máquina saísse do coma e o único canal disponível (o único concebível) desse sinais de vida. Você é que se submetia como um garimpeiro a quatro horas de música genérica no rádio até ser premiado, quem sabe, com a música que queria ouvir. Você é que pagava para assistir no cinema a um filme do qual não sabia nada além do título.

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Manuscritos ,,,,,,,,,,,,

Você que nunca foi a uma igreja dessa tradição não tem como saber, mas um culto pro­tes­tante tende a durar de duas a seis vezes mais do que uma missa católica, e uma grande per­cen­ta­gem desse tempo (entre 25 e 50%) é ocupada pela pregação.

E sim: se a conta está certa muitos pro­tes­tan­tes (ou evan­gé­li­cos, como certos círculos preferem ser chamados) tomam por coisa habitual ouvir pregações que se estendem relógio adentro quando missas inteiras já começaram e terminaram.

Essa diferença nasce de outra: a missa está centrada na euca­ris­tia, mas o culto orbita ao redor da pregação.

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A Bacia das Almas é a peleja do Carnaval com a Quaresma.


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