A Bacia das Almas é a peleja do Carnaval com a Quaresma.

Goiabas Roubadas ,,,,,,,,,,,,,,,,,

Stefan Zweig

 

De fato, nada deixa mais claro o imenso retro­cesso que recaiu sobre o mundo depois da Primeira Guerra Mundial do que as res­tri­ções sobre a liberdade de des­lo­ca­mento do homem e a dimi­nui­ção dos seus direitos civis. Antes de 1914 a Terra pertencia a todos. As pessoas iam para onde dese­jas­sem e ficavam o quanto quisessem.

Não havia vistos nem auto­ri­za­ções de per­ma­nên­cia, e sempre me dá prazer des­lum­brar os mais jovens contando que antes de 1914 viajei da Europa para a Índia e para a América sem ter um pas­sa­porte e sem ter em qualquer momento visto um. Embarcava-se e desembarcava-se sem ques­ti­o­nar e sem ser ques­ti­o­nado: não era neces­sá­rio preencher um único dos inúmeros for­mu­lá­rios reque­ri­dos hoje em dia.

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Traduzindo Borges ,,,

Jorge Luis Borges

 

Lembro que quando comecei a escrever não se pensava no sucesso ou no fracasso de um livro. O que se chama de “sucesso” não existia naquele tempo, e o que se chama de “fracasso” era tido como certo. Um autor escrevia para si mesmo e, quem sabe (como Stevenson costumava dizer), para um pequeno grupo de amigos. Hoje, por outro lado, se pensa nas vendas. Sei que há autores que anunciam publi­ca­mente o lan­ça­mento de uma quinta, sexta ou sétima edição, e que ganharam esta ou aquela soma de dinheiro. Isso teria parecido intei­ra­mente ridículo quando eu era jovem; teria parecido incrível. As pessoas teriam pensado que o escritor que diz o quanto ganhou com seus livros está na verdade dizendo: “Sei que o que escrevo não tem qualidade, mas o faço por motivos finan­cei­ros ou porque tenho de sustentar minha família”. Vejo na atitude quase uma forma de modéstia. Ou de estupidez pura e simples.

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Três coisas que a cultura do automóvel pode ter feito você esquecer

 

Como carecemos de histórias milenares e de longas dinastias que justifiquem os nossos temperamentos, nas Américas adotamos desde cedo uma nova mitologia, uma narrativa orientadora que alongamos dos descobrimentos e das caravelas: a ideia de que ocupar espaços – em alguns casos, simplesmente transpor espaços – é uma coisa boa, suficiente e admirável.

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ManuscritosPense comigo ,,,,,,,,,,

 

Como carecemos de histórias milenares e de longas dinastias que justifiquem os nossos temperamentos, nas Américas adotamos desde cedo uma nova mitologia, uma narrativa orientadora que alongamos dos descobrimentos e das caravelas: a ideia de que ocupar espaços – em alguns casos, simplesmente transpor espaços – é uma coisa boa, suficiente e admirável.

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PINÇADA DOS ARQUIVOS:
A primeira aparição pública de Abraão

ABRAÃO: A primeira aparição pública de Abraão

Então Abraão, ao comando de Deus, recebeu do anjo Gabriel ordens para seguir Ninrode até a Babilônia. Ele argu­men­tou que não estava de modo algum equipado para empre­en­der uma investida militar contra o rei, mas Gabriel acalmou-o com as seguintes palavras:

— Você não precisa de provisões para o caminho, nem de cavalos para cavalgar, nem de guer­rei­ros para travar guerra contra Ninrode; não precisa de car­ru­a­gens nem de cava­lei­ros. Apenas sente-se sobre o meu ombro, e irei eu mesmo levá-lo até a Babilônia.

Goiabas Roubadas

ABRAÃO: A primeira aparição pública de Abraão

Então Abraão, ao comando de Deus, recebeu do anjo Gabriel ordens para seguir Ninrode até a Babilônia. Ele argu­men­tou que não estava de modo algum equipado para empre­en­der uma investida militar contra o rei, mas Gabriel acalmou-o com as seguintes palavras:

— Você não precisa de provisões para o caminho, nem de cavalos para cavalgar, nem de guer­rei­ros para travar guerra contra Ninrode; não precisa de car­ru­a­gens nem de cava­lei­ros. Apenas sente-se sobre o meu ombro, e irei eu mesmo levá-lo até a Babilônia.

PolíticaTraduzindo Borges ,,,,

Creio que eu e Julio Cortázar pro­fes­sa­mos visões políticas muito dife­ren­tes. Mas também creio que, no fim das contas, opiniões são a coisa mais super­fi­cial a respeito de qualquer pessoa.
Jorge Luis Borges

 

Ah, meu caro Borges! O que seria do mundo se ado­tás­se­mos a sua lucidez? Citado em Seven Con­ver­sa­ti­ons with Jorge Luis Borges, de Fernando Sorrentino.

Perdão e poder

Não é de estranhar que Jesus de Nazaré tenha se recusado a reduzir a virtude a um conjunto con­for­tá­vel de regras; não é de estranhar que ele tenha se negado fir­me­mente a indicar que a conduta do reino pudesse ser domada em normas ou esgotada pela obe­di­ên­cia passiva. Essas suas cautelas se enquadram de modo natural em seu projeto de rejeitar o uso de qualquer fer­ra­menta de mani­pu­la­ção e de poder. Legislar é poder, legislar é con­di­ci­o­nar, e nada está mais distante da postura que Jesus assumiu para si mesmo e sonhou para os seus amigos.

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Manuscritos ,,,,,

Não é de estranhar que Jesus de Nazaré tenha se recusado a reduzir a virtude a um conjunto con­for­tá­vel de regras; não é de estranhar que ele tenha se negado fir­me­mente a indicar que a conduta do reino pudesse ser domada em normas ou esgotada pela obe­di­ên­cia passiva. Essas suas cautelas se enquadram de modo natural em seu projeto de rejeitar o uso de qualquer fer­ra­menta de mani­pu­la­ção e de poder. Legislar é poder, legislar é con­di­ci­o­nar, e nada está mais distante da postura que Jesus assumiu para si mesmo e sonhou para os seus amigos.

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Goiabas Roubadas ,,,,,,,,,

T. S. Eliot

 

O ciclo sem fim de ideia e ação,
Invenção sem fim, expe­ri­men­ta­ção sem fim,
Produz saber do movimento, mas não do repouso;
Conhe­ci­mento da fala, mas não do silêncio;
Conhe­ci­mento das palavras, e igno­rân­cia da Palavra.
Todo o nosso conhe­ci­mento nos leva mais perto da morte,
Mas uma pro­xi­mi­dade da morte em nada mais próxima de Deus.
Onde está a vida que perdemos vivendo?
Onde está a sabedoria que perdemos no conhe­ci­mento?
Onde está o conhe­ci­mento que perdemos na infor­ma­ção?
Os ciclos celestes de vinte séculos
Nos trazem mais longe de Deus e mais perto do Pó.

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Goiabas Roubadas ,,,,,,,,,,,
«E curtir as coisas é ser como uma máquina?»

ANDY WARHOL. Alguém disse que Brecht queria que todo mundo pensasse da mesma forma. Eu quero que todo mundo pense da mesma forma. Brecht queria isso de algum modo através do comunismo. Mas aqui isso está acon­te­cendo espon­ta­ne­a­mente, sem a inter­ven­ção de um estado rígido. E se está fun­ci­o­nando sem qualquer esforço, porque não fun­ci­o­na­ria sem que nos tornemos comu­nis­tas? Todo mundo se parece entre si e age de modo seme­lhante, e estamos ficando cada vez mais assim. Eu acho que todos deveriam ser máquinas. Acho que todo mundo deveria curtir todo mundo.

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A Bacia das Almas é onde as ideias vem para morrer.


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