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Política ,,,,,,,,,,,,,,

Todas as vezes que falo da cultura judaica numa luz positiva, como em A verdade na assem­bleia dos dis­cor­dan­tes, fico com medo de estar dando a impressão de que aprovo a política histórica do estado judeu, e que nada tenho contra o público estran­gu­la­mento da Palestina. O Estado de Israel fez muito para seques­trar em seu favor o termo “judeu”, esvaziando-os de suas impli­ca­ções reli­gi­o­sas e culturais e restringindo-o ao âmbito político e nacional.

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Nunca é cedo demais para lembrar o que o PT e o capi­ta­lismo têm em comum

As pessoas acham que o cres­ci­mento diminui a pobreza. O cres­ci­mento, na verdade, produz e reproduz a pobreza. Na medida em que ele tira gente da pobreza, ele tem que criar outros pobres no lugar. . . . Índio é jus­ta­mente o contrário do pobre. Eles se definem pelo que têm de diferente, uns dos outros e eles todos de nós, e por alguém cuja razão de ser é continuar sendo o que é. . . . O que aconteceu com a história do Brasil é que foi um processo circular de trans­for­ma­ção de índio em pobre. Tira a terra, tira a língua, tira a religião. Aí o cara fica com o quê? Com a força de trabalho. Virou pobre. Qual foi sempre o truque da mes­ti­ça­gem bra­si­leira? Tiravam tudo, con­ver­tiam e diziam: agora, se vocês se com­por­ta­rem bem, daqui a 200, 300, 400 anos, vocês vão virar brancos. . . . O Brasil está sendo reco­lo­ni­zado por ele mesmo com esse modelo sulista/europeu/americano. Essa cultura country que está invadindo a Amazônia junto com a soja, junto com o boi. E ao mesmo tempo trans­for­mando quem mora ali em pobre. E pro­du­zindo a pobreza. O ribei­ri­nho vira pobre, o qui­lom­bola vira pobre, o índio vai virando pobre. Atrás da colhei­ta­deira, atrás do boi, vem o programa de governo, vem o Bolsa Família, vem tudo para ir reci­clando esse lixo humano que vai sendo pisoteado pela boiada.
Eduardo Viveiros de Castro em
Diálogos sobre o fim do mundo

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BrasilGoiabas RoubadasPolítica ,,,,,,,,,

As pessoas acham que o cres­ci­mento diminui a pobreza. O cres­ci­mento, na verdade, produz e reproduz a pobreza. Na medida em que ele tira gente da pobreza, ele tem que criar outros pobres no lugar. . . . Índio é jus­ta­mente o contrário do pobre. Eles se definem pelo que têm de diferente, uns dos outros e eles todos de nós, e por alguém cuja razão de ser é continuar sendo o que é. . . . O que aconteceu com a história do Brasil é que foi um processo circular de trans­for­ma­ção de índio em pobre. Tira a terra, tira a língua, tira a religião. Aí o cara fica com o quê? Com a força de trabalho. Virou pobre. Qual foi sempre o truque da mes­ti­ça­gem bra­si­leira? Tiravam tudo, con­ver­tiam e diziam: agora, se vocês se com­por­ta­rem bem, daqui a 200, 300, 400 anos, vocês vão virar brancos. . . . O Brasil está sendo reco­lo­ni­zado por ele mesmo com esse modelo sulista/europeu/americano. Essa cultura country que está invadindo a Amazônia junto com a soja, junto com o boi. E ao mesmo tempo trans­for­mando quem mora ali em pobre. E pro­du­zindo a pobreza. O ribei­ri­nho vira pobre, o qui­lom­bola vira pobre, o índio vai virando pobre. Atrás da colhei­ta­deira, atrás do boi, vem o programa de governo, vem o Bolsa Família, vem tudo para ir reci­clando esse lixo humano que vai sendo pisoteado pela boiada.
Eduardo Viveiros de Castro em
Diálogos sobre o fim do mundo

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Goiabas Roubadas ,,,,,,,,,,,

Por outro lado, há na cultura da internet uma tendência crescente à indig­na­ção como fim em si mesmo. Nos últimos anos a contínua exibição de revolta, jul­ga­mento e punição pela internet tem sido elemento ines­ca­pá­vel da vida con­tem­po­râ­nea. Car­re­ga­mos todos no bolso um cir­cuns­pecto, hiper­crí­tico, oni­pre­sente, inces­sante e impre­vi­sí­vel sistema judi­ciá­rio. Você pega o celular e começa a sessão do tribunal; coloca no bolso e ele entra em recesso.

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Manuscritos

Na boca da caverna não me acomete temor nem apreensão, apenas um vago assombro – não diante da tarefa que me aguarda nem dos horrores arbi­trá­rios que espreitam, mas de mim mesmo: minha própria ima­cu­li­dade, minha ator­do­ante autonomia, meu indis­cu­tido valor.

Desde de que Ferôdio tombou em Êlia e, quem sabe muito antes, maior que eu não há homem sobre a terra. Minha própria sombra, seja num terraço de Creta ou num campo de batalha em Hipossos, aponta inces­san­te­mente para o mais temido, o mais temível, o mais incan­sa­vel­mente desejado dos homens. Um mortal que tem mais estátuas que juntos todos os deuses, mais san­tuá­rios que o divino casal de Elêusis, mais devotos que os touros de Poreleno e mais iniciados que o bode de mil filhos.

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PINÇADA DOS ARQUIVOS:
BABELISMO: As perversas cons­tru­ções humanas e a graciosa des­cons­tru­ção divina

Elienai Cabral Junior

NÃO DEMORA MUITO para que qualquer um descubra a pior das angústias humanas: nossa vida também é morte. Tudo o que amamos, pla­ne­ja­mos e cons­truí­mos é insus­ten­tá­vel. Nossas melhores idéias duram tão pouco que a frus­tra­ção é ine­vi­tá­vel. Sonhamos com mundos novos, adre­na­li­za­mos a vida ide­a­li­zando o futuro. Mas conhe­ce­mos com desen­canto a fatídica fra­gi­li­za­ção de nossos ideais no desen­ro­lar dos dias, na inclusão de outras pessoas, nas des­co­ber­tas de novas neces­si­da­des e problemas, no adiamento de algumas soluções, nos empenhos inócuos, na con­vi­vên­cia com muitas carências e tantos deslizes inde­se­ja­dos. Pouco a pouco, um projeto que nasce vigoroso e carregado de uma sensação de eter­ni­dade, por mais belo e con­sis­tente, enfra­quece e perde gravidade.

Goiabas Roubadas ,

Elienai Cabral Junior

NÃO DEMORA MUITO para que qualquer um descubra a pior das angústias humanas: nossa vida também é morte. Tudo o que amamos, pla­ne­ja­mos e cons­truí­mos é insus­ten­tá­vel. Nossas melhores idéias duram tão pouco que a frus­tra­ção é ine­vi­tá­vel. Sonhamos com mundos novos, adre­na­li­za­mos a vida ide­a­li­zando o futuro. Mas conhe­ce­mos com desen­canto a fatídica fra­gi­li­za­ção de nossos ideais no desen­ro­lar dos dias, na inclusão de outras pessoas, nas des­co­ber­tas de novas neces­si­da­des e problemas, no adiamento de algumas soluções, nos empenhos inócuos, na con­vi­vên­cia com muitas carências e tantos deslizes inde­se­ja­dos. Pouco a pouco, um projeto que nasce vigoroso e carregado de uma sensação de eter­ni­dade, por mais belo e con­sis­tente, enfra­quece e perde gravidade.

FotografiaGírias e Falares ,,,,,,,

Minha paixão pela huma­ni­dade é per­fei­ta­mente bipolar, alter­nando pes­si­mismo e exaltação que não têm apa­ren­te­mente nenhum estágio inter­me­diá­rio. Por vezes a mera diver­si­dade das culturas tecidas pelas gentes – um sotaque, uma nova gíria, um folheto de cordel, descobrir que no Ceará rede de dormir às vezes se diz baladeira, descobrir que em italiano mappa é feminino e ponte é masculino, tomar suco de cajá pela primeira vez, uma expressão que colho ao acaso do Dici­o­ná­rio do Nordeste de Fred Navarro, comer buchada de bode pela primeira (e última) vez, visitar a ala de carnes do mercado de Patos, receber um beijo comovido de um italiano hete­ros­se­xual no mesmo dia em que nos tornamos amigos, ver um casal de romeiros de cabelos brancos dormindo descalços e abraçados no chão fresco de uma igreja em Canindé (enquanto esperam que passe a hora mais quente do dia) – basta para me encher de esperança que é um farol.

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Pense comigo ,,,,,,,,,,,,,,

Coisas como eleições pre­si­den­ci­ais con­tri­buem, pela distração do naci­o­na­lismo, para que ignoremos o fato de que as ver­da­dei­ras questões são humanas, ao mesmo tempo maiores e menores do que a fantasia da nação. O âmbito nacional é uma ficção e requer fé, os âmbitos globais e locais são muito reais e requerem obras.

Não há maior emblema dessas con­tra­di­ções do que a presente ameaça do vírus ebola. Ao contrário de nós, o ebola sim­ples­mente não enxerga fron­tei­ras nacionais: tudo que ele vê são seres humanos. Tudo que ele vê, e portanto denuncia, é a realidade.

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Manuscritos ,,,,,,,,,,,,

O rabinismo babilô­nico derrotou a dialética, pro­mo­vendo a noção de que todas as arti­cu­la­ções da verdade são fun­da­men­tal­mente contingentes.

Daniel Boyarin

 

Não há no Novo Tes­ta­mento qualquer indício de que seus autores esperavam para o seu movimento um futuro que fosse de algum modo separado da história e da vocação do judaísmo de que faziam parte. Jesus era judeu, seus dis­cí­pu­los eram judeus; o apóstolo Paulo – muitas vezes acusado de inventar o cris­ti­a­nismo como coisa à parte do judaísmo – era for­mi­da­vel­mente judeu, e em suas exal­ta­ções descrevia no movimento de Jesus a vitória universal do judaísmo em vez da sua supressão1.

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Goiabas Roubadas ,,,,,,,,

Nasrudin estava andando pelo bazar com um grupo de segui­do­res. Tudo que Nasrudin fazia seus segui­do­res copiavam ime­di­a­ta­mente. A cada poucos passos Nasrudin parava, sacudia as mãos, tocava os pés e pulava gritando “Hu! Hu! Hu!”. Seus segui­do­res paravam e faziam a mesma coisa.

Um dos mer­ca­do­res, que conhecia Nasrudin, perguntou-lhe à parte:

– O que você está fazendo, amigo velho? Quem é essa gente imitando você?

– Virei um sábio sufi – disse Nasrudin. – Esses são meus dis­cí­pu­los: estou ajudando-os a encontrar a luz.

– E como você sabe dizer quando eles já encon­tra­ram a luz?

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A Bacia das Almas já foi atualizada com maior frequência.


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