A Bacia das Almas pode muito bem não fazer diferença nenhuma.

Manuscritos ,,,,,,,,,,,,,

Antes de ser questão política, a ideia de que ninguém é melhor do que ninguém dizia respeito à iden­ti­dade cristã

 

Somos todos culpados de tudo.
Dimitri Karamazov, em Os irmãos Karamazov de Dostoiévski

 

 

A diferença entre esquerda e direita, obvi­a­mente, é que os par­ti­dá­rios da esquerda podem dizer todo ser humano me repre­senta e insistem em fazê-lo.

A direita prefere evitar qualquer iden­ti­fi­ca­ção com a esquerda, mas para ser de esquerda é preciso identificar-se até certo ponto com a direita. É preciso entender até o seu cerne as aspi­ra­ções e os argu­men­tos da direita – sentir o completo fascínio da sua tentação, por assim dizer, antes de tomar a decisão de proteger o mundo inteiro do estrago que tem feito e pode continuar a fazer.

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Política ,,,,,,,,,,,,,,

Todas as vezes que falo da cultura judaica numa luz positiva, como em A verdade na assem­bleia dos dis­cor­dan­tes, fico com medo de estar dando a impressão de que aprovo a política histórica do estado judeu, e que nada tenho contra o público estran­gu­la­mento da Palestina. O Estado de Israel fez muito para seques­trar em seu favor o termo “judeu”, esvaziando-os de suas impli­ca­ções reli­gi­o­sas e culturais e restringindo-o ao âmbito político e nacional.

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Nunca é cedo demais para lembrar o que o PT e o capi­ta­lismo têm em comum

As pessoas acham que o cres­ci­mento diminui a pobreza. O cres­ci­mento, na verdade, produz e reproduz a pobreza. Na medida em que ele tira gente da pobreza, ele tem que criar outros pobres no lugar. . . . Índio é jus­ta­mente o contrário do pobre. Eles se definem pelo que têm de diferente, uns dos outros e eles todos de nós, e por alguém cuja razão de ser é continuar sendo o que é. . . . O que aconteceu com a história do Brasil é que foi um processo circular de trans­for­ma­ção de índio em pobre. Tira a terra, tira a língua, tira a religião. Aí o cara fica com o quê? Com a força de trabalho. Virou pobre. Qual foi sempre o truque da mes­ti­ça­gem bra­si­leira? Tiravam tudo, con­ver­tiam e diziam: agora, se vocês se com­por­ta­rem bem, daqui a 200, 300, 400 anos, vocês vão virar brancos. . . . O Brasil está sendo reco­lo­ni­zado por ele mesmo com esse modelo sulista/europeu/americano. Essa cultura country que está invadindo a Amazônia junto com a soja, junto com o boi. E ao mesmo tempo trans­for­mando quem mora ali em pobre. E pro­du­zindo a pobreza. O ribei­ri­nho vira pobre, o qui­lom­bola vira pobre, o índio vai virando pobre. Atrás da colhei­ta­deira, atrás do boi, vem o programa de governo, vem o Bolsa Família, vem tudo para ir reci­clando esse lixo humano que vai sendo pisoteado pela boiada.
Eduardo Viveiros de Castro em
Diálogos sobre o fim do mundo

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BrasilGoiabas RoubadasPolítica ,,,,,,,,,

As pessoas acham que o cres­ci­mento diminui a pobreza. O cres­ci­mento, na verdade, produz e reproduz a pobreza. Na medida em que ele tira gente da pobreza, ele tem que criar outros pobres no lugar. . . . Índio é jus­ta­mente o contrário do pobre. Eles se definem pelo que têm de diferente, uns dos outros e eles todos de nós, e por alguém cuja razão de ser é continuar sendo o que é. . . . O que aconteceu com a história do Brasil é que foi um processo circular de trans­for­ma­ção de índio em pobre. Tira a terra, tira a língua, tira a religião. Aí o cara fica com o quê? Com a força de trabalho. Virou pobre. Qual foi sempre o truque da mes­ti­ça­gem bra­si­leira? Tiravam tudo, con­ver­tiam e diziam: agora, se vocês se com­por­ta­rem bem, daqui a 200, 300, 400 anos, vocês vão virar brancos. . . . O Brasil está sendo reco­lo­ni­zado por ele mesmo com esse modelo sulista/europeu/americano. Essa cultura country que está invadindo a Amazônia junto com a soja, junto com o boi. E ao mesmo tempo trans­for­mando quem mora ali em pobre. E pro­du­zindo a pobreza. O ribei­ri­nho vira pobre, o qui­lom­bola vira pobre, o índio vai virando pobre. Atrás da colhei­ta­deira, atrás do boi, vem o programa de governo, vem o Bolsa Família, vem tudo para ir reci­clando esse lixo humano que vai sendo pisoteado pela boiada.
Eduardo Viveiros de Castro em
Diálogos sobre o fim do mundo

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Goiabas Roubadas ,,,,,,,,,,,

Por outro lado, há na cultura da internet uma tendência crescente à indig­na­ção como fim em si mesmo. Nos últimos anos a contínua exibição de revolta, jul­ga­mento e punição pela internet tem sido elemento ines­ca­pá­vel da vida con­tem­po­râ­nea. Car­re­ga­mos todos no bolso um cir­cuns­pecto, hiper­crí­tico, oni­pre­sente, inces­sante e impre­vi­sí­vel sistema judi­ciá­rio. Você pega o celular e começa a sessão do tribunal; coloca no bolso e ele entra em recesso.

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PINÇADA DOS ARQUIVOS:
Lutero alerta os alemães

Dos panfletos que Martinho Lutero escreveu contra os judeus o Shem Hamphoras talvez seja o mais virulento. Estou pensando em traduzir, com fins históricos e educativos e em doses homeopáticas, pelo menos parte dele. A minha é uma tradução da tradução literal de Gerhard Falk, que por sua vez trabalhou a partir do truncado original alemão: Von Schem Hamphoras und vom Geschlecht Christi – Do Nome Oculto e das Gerações de Cristo.

Antes que passe pela sua cabeça que concordo com o que está sendo dito aqui, leia todas as advertências em A solução final de Lutero.

Lutero não tinha como estar pensando nos nazistas quando escreveu 400 anos antes deles, mas não há como saber: talvez os nazistas estivessem pensando em Lutero quando colocaram-no em prática 400 anos depois.


“Não é minha opinião que eu possa escrever aos judeus na esperança de convertê-los.”

1. No meu último panfleto (Sobre os Judeus e Suas Mentiras) anunciei que irei de agora em diante ignorar aquilo que os ferozes e miseráveis judeus mentem a respeito do seu Shem Hamphoras1, conforme descrito por Purchetus em seu livro Victoria.

Isso tenho feito em honra da nossa fé e em oposição às mentiras diabólicas dos judeus, de modo que aqueles que querem tornar-se judeus possam ver em que espécie de dogmas “magníficos” deverão acreditar e terão de observar entre os malditos judeus.

“Um coração de judeu é duro como pedra, e não pode ser movido por quaisquer meios.”

Pois, conforme estipulei claramente naquele panfleto, não é minha opinião que eu possa escrever aos judeus na esperança de convertê-los. Eis porque não dei àquele panfleto o nome de Contra os Judeus, mas Contra os Judeus e Suas Mentiras, para que os alemães possam conhecer através da evidência histórica o que é um judeu, de modo a poderem alertar nossos cristãos contra eles da mesma forma que os alertamos contra o próprio Diabo, a fim de fortalecermos e honrarmos nossa crença; não para converter os judeus, o que seria quase tão impossível quanto converter o Diabo.

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Divino preconceitoDocumentosHistória ,,

Dos panfletos que Martinho Lutero escreveu contra os judeus o Shem Hamphoras talvez seja o mais virulento. Estou pensando em traduzir, com fins históricos e educativos e em doses homeopáticas, pelo menos parte dele. A minha é uma tradução da tradução literal de Gerhard Falk, que por sua vez trabalhou a partir do truncado original alemão: Von Schem Hamphoras und vom Geschlecht Christi – Do Nome Oculto e das Gerações de Cristo.

Antes que passe pela sua cabeça que concordo com o que está sendo dito aqui, leia todas as advertências em A solução final de Lutero.

Lutero não tinha como estar pensando nos nazistas quando escreveu 400 anos antes deles, mas não há como saber: talvez os nazistas estivessem pensando em Lutero quando colocaram-no em prática 400 anos depois.


“Não é minha opinião que eu possa escrever aos judeus na esperança de convertê-los.”

1. No meu último panfleto (Sobre os Judeus e Suas Mentiras) anunciei que irei de agora em diante ignorar aquilo que os ferozes e miseráveis judeus mentem a respeito do seu Shem Hamphoras1, conforme descrito por Purchetus em seu livro Victoria.

Isso tenho feito em honra da nossa fé e em oposição às mentiras diabólicas dos judeus, de modo que aqueles que querem tornar-se judeus possam ver em que espécie de dogmas “magníficos” deverão acreditar e terão de observar entre os malditos judeus.

“Um coração de judeu é duro como pedra, e não pode ser movido por quaisquer meios.”

Pois, conforme estipulei claramente naquele panfleto, não é minha opinião que eu possa escrever aos judeus na esperança de convertê-los. Eis porque não dei àquele panfleto o nome de Contra os Judeus, mas Contra os Judeus e Suas Mentiras, para que os alemães possam conhecer através da evidência histórica o que é um judeu, de modo a poderem alertar nossos cristãos contra eles da mesma forma que os alertamos contra o próprio Diabo, a fim de fortalecermos e honrarmos nossa crença; não para converter os judeus, o que seria quase tão impossível quanto converter o Diabo.

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Manuscritos

Na boca da caverna não me acomete temor nem apreensão, apenas um vago assombro – não diante da tarefa que me aguarda nem dos horrores arbi­trá­rios que espreitam, mas de mim mesmo: minha própria ima­cu­li­dade, minha ator­do­ante autonomia, meu indis­cu­tido valor.

Desde de que Ferôdio tombou em Êlia e, quem sabe muito antes, maior que eu não há homem sobre a terra. Minha própria sombra, seja num terraço de Creta ou num campo de batalha em Hipossos, aponta inces­san­te­mente para o mais temido, o mais temível, o mais incan­sa­vel­mente desejado dos homens. Um mortal que tem mais estátuas que juntos todos os deuses, mais san­tuá­rios que o divino casal de Elêusis, mais devotos que os touros de Poreleno e mais iniciados que o bode de mil filhos.

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FotografiaGírias e Falares ,,,,,,,

Minha paixão pela huma­ni­dade é per­fei­ta­mente bipolar, alter­nando pes­si­mismo e exaltação que não têm apa­ren­te­mente nenhum estágio inter­me­diá­rio. Por vezes a mera diver­si­dade das culturas tecidas pelas gentes – um sotaque, uma nova gíria, um folheto de cordel, descobrir que no Ceará rede de dormir às vezes se diz baladeira, descobrir que em italiano mappa é feminino e ponte é masculino, tomar suco de cajá pela primeira vez, uma expressão que colho ao acaso do Dici­o­ná­rio do Nordeste de Fred Navarro, comer buchada de bode pela primeira (e última) vez, visitar a ala de carnes do mercado de Patos, receber um beijo comovido de um italiano hete­ros­se­xual no mesmo dia em que nos tornamos amigos, ver um casal de romeiros de cabelos brancos dormindo descalços e abraçados no chão fresco de uma igreja em Canindé (enquanto esperam que passe a hora mais quente do dia) – basta para me encher de esperança que é um farol.

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Pense comigo ,,,,,,,,,,,,,,

Coisas como eleições pre­si­den­ci­ais con­tri­buem, pela distração do naci­o­na­lismo, para que ignoremos o fato de que as ver­da­dei­ras questões são humanas, ao mesmo tempo maiores e menores do que a fantasia da nação. O âmbito nacional é uma ficção e requer fé, os âmbitos globais e locais são muito reais e requerem obras.

Não há maior emblema dessas con­tra­di­ções do que a presente ameaça do vírus ebola. Ao contrário de nós, o ebola sim­ples­mente não enxerga fron­tei­ras nacionais: tudo que ele vê são seres humanos. Tudo que ele vê, e portanto denuncia, é a realidade.

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Manuscritos ,,,,,,,,,,,,

O rabinismo babilô­nico derrotou a dialética, pro­mo­vendo a noção de que todas as arti­cu­la­ções da verdade são fun­da­men­tal­mente contingentes.

Daniel Boyarin

 

Não há no Novo Tes­ta­mento qualquer indício de que seus autores esperavam para o seu movimento um futuro que fosse de algum modo separado da história e da vocação do judaísmo de que faziam parte. Jesus era judeu, seus dis­cí­pu­los eram judeus; o apóstolo Paulo – muitas vezes acusado de inventar o cris­ti­a­nismo como coisa à parte do judaísmo – era for­mi­da­vel­mente judeu, e em suas exal­ta­ções descrevia no movimento de Jesus a vitória universal do judaísmo em vez da sua supressão1.

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Goiabas Roubadas ,,,,,,,,

Nasrudin estava andando pelo bazar com um grupo de segui­do­res. Tudo que Nasrudin fazia seus segui­do­res copiavam ime­di­a­ta­mente. A cada poucos passos Nasrudin parava, sacudia as mãos, tocava os pés e pulava gritando “Hu! Hu! Hu!”. Seus segui­do­res paravam e faziam a mesma coisa.

Um dos mer­ca­do­res, que conhecia Nasrudin, perguntou-lhe à parte:

– O que você está fazendo, amigo velho? Quem é essa gente imitando você?

– Virei um sábio sufi – disse Nasrudin. – Esses são meus dis­cí­pu­los: estou ajudando-os a encontrar a luz.

– E como você sabe dizer quando eles já encon­tra­ram a luz?

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A Bacia das Almas preza pela inconsistência.


Depositado em juízo por Paulo Brabo · Desde 2004 · Sobre o autor e esta Bacia · Receba por email · Leia um livro · Olhe desenhos · Vasculhe os arquivos · A amizade continua a mesma nA Forja Universal, no twitter, no Flickr e até no Google+ · Mas não no Facebook · Assine com RSS · Versões digitais dos manuscritos da Biblioteca do Monastério de São Brabo nas Índias Ocidentais · Fale comigo · A Bacia das Almas já foi longe demais.